Turquia reage a sanções dos EUA pela mesma medida

A Turquia ameaçou os Estados Unidos com medidas de retaliação após as sanções impostas por Washington aos ministros turcos do Interior e da Justiça em resposta à prisão do pastor Andrew Brunson. Erdogan critica mentalidade evangelista e sionista dos EUA.

As sanções decretadas por Washington consistem na apreensão de bens e ativos de Süleyman Soylu e Abdulhamit Gül, informou o Departamento do Tesouro dos EUA. A administração Trump também proibiu qualquer cidadão dos EUA de fazer negócios com esses dirigentes turcos.

"Não há dúvida de que isto vai prejudicar imenso os esforços construtivos feitos para resolver os problemas entre os dois países", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco em comunicado. "Haverá uma resposta imediata a essa atitude agressiva", lê-se ainda.

Acusado pelas autoridades turcas de atividades "terroristas" e espionagem, o pastor protestante Andrew Brunson foi colocado há uma semana sob prisão domiciliária, em Esmirna, na costa ocidental do país, após um ano e meio de detenção.

"Acreditamos que tenha sido vítima de tratamento injusto e injustificado por parte do governo turco", disse Sarah Sanders, porta-voz da Casa Branca, ao anunciar as sanções.

"A injusta detenção do pastor Brunson e a sua perseguição pelas autoridades turcas são simplesmente inaceitáveis", reagiu por sua vez o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin.

A lira turca atingiu mínimos históricos em relação ao dólar na quarta-feira (5 liras turcas equivalem a 1 dólar).

Perseguição, diz Pence

A tensão aumentou na semana passada entre Washington e Ancara quando se soube que o pastor saiu do estabelecimento prisional mas ficou sob prisão domiciliária e que as acusações que lhe pendem podem valer até 35 anos de prisão.

Donald Trump e seu vice-presidente Mike Pence ameaçaram a Turquia com "fortes sanções" se Andrew Brunson não fosse libertado. Pence, evangélico como Brunson, disse que o pastor é "vítima de perseguição religiosa".

Ancara rejeita a linguagem "inaceitável" por parte do seu aliado na NATO. "A Turquia não tem problemas com minorias religiosas", defendeu o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. "Não podemos aceitar esta mentalidade evangelista e sionista e o tom ameaçador vindos dos Estados Unidos", disse ainda Erdogan.

O presidente turco chegou a propor a troca de Brunson pelo clérigo Fethullah Gülen, radicado nos EUA, e que Erdogan acusa de ter fomentado o golpe de Estado fracassado de 2016.

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