Turquia despede mais 10.000 polícias, juízes, procuradores e professores

Governo turco oficializou hoje 40.000 despedimentos como sendo definitivos

A Turquia despediu mais 10.000 polícias, juízes, procuradores e professores universitários num decreto publicado esta sexta-feira que reforça a purga na administração pública após a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho.

O decreto determina o afastamento de 7.669 polícias e 323 agentes da polícia militarizada, todos suspeitos de participar ou apoiar os golpistas.

Por outro lado, afasta 543 procuradores e juízes, fazendo ascender o total de despedimentos no aparelho judicial para 3.390, segundo o canal NTV.

O ensino superior é também novamente visado, com 2.346 académicos afastados, a juntar a outras 28.000 pessoas, milhares delas professores, despedidas na área da educação.

No exército, são afastados cerca de 800 militares, a maioria dos quais está sob custódia das autoridades, totalizando 4.451 membros das forças armadas afastados após o golpe, entre os quais cerca de metade dos generais no ativo.

O governo turco oficializou também hoje 40.000 dos cerca de 80.000 despedimentos anunciados desde julho, que são tornados inapeláveis, e como tal, definitivos.

Entre outros, ficam definitivamente afastados da administração pública 28.100 funcionários da educação, 7.600 da segurança, 2.000 da saúde e 1.500 dos assuntos religiosos.

A Turquia acusa o pregador Fethullah Gulen e o movimento por ele fundado, o Hizmet, de ordenar e realizar o golpe falhado, que terminou com 270 mortos, 34 deles golpistas.

Gulen, exilado nos Estados Unidos desde 1999, nega qualquer implicação no golpe.

O ministro da Justiça anunciou hoje que quase 34.000 presos, condenados por "crimes menores", foram libertados, o que ocorre pela segunda vez e parece justificar-se pela necessidade de criar espaço nas prisões para todos os detidos acusados de participação no golpe ou ligações aos golpistas.

Bekir Bozdag precisou que a libertação não corresponde a uma amnistia e que não abrange nenhum preso condenado por homicídio, terrorismo ou crimes contra a segurança do Estado.

Segundo a agência estatal Anadolu, a capacidade total das prisões turcas é de 187.351 pessoas.

Desde julho, a população prisional na Turquia aumentou mais de 200.000.

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