Turquia chama embaixador alemão após proibição de reunião com ministro turco

Cidade alemã proibiu a intervenção do ministro da Justiça da Turquia numa concentração agendada a favor da revisão constitucional defendida pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Turquia chamou esta quinta-feira o embaixador da Alemanha em Ancara, Martin Erdmann, depois de as autoridades de uma cidade alemã terem proibido uma reunião da comunidade turca no país com um ministro turco.

Segundo o diário turco pró-governamental Sabah, o diplomata alemão foi recebido pelo subsecretário responsável pelos Assuntos Europeus, Mehmet Kemal Bozay, que lhe entregou uma nota de protesto.

A cidade alemã de Gaggenau proibiu a intervenção do ministro da Justiça da Turquia, Bekir Bozdag, numa concentração agendada para esta quinta-feira a favor da revisão constitucional defendida pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

A câmara municipal de Gaggenau, no Estado federado de Baden-Württemberg, no sul da Alemanha, justificou a sua decisão com a ausência de um espaço adequado para o elevado número de participantes previsto.

"Devido ao facto de o evento ter despertado interesse além das fronteiras da região, a cidade conta com uma grande afluência de público, perante a qual o espaço do pavilhão de Bad Rotenfels, os parques de estacionamento e os acessos são insuficientes", indicou a autarquia em comunicado.

Após a proibição da concentração, o ministro turco cancelou o encontro que deveria manter com o seu homólogo alemão, o social-democrata Heiko Maas.

"É inaceitável que as autoridades alemãs não tolerem uma reunião da comunidade turca, quando estão sempre a dar lições sobre direitos humanos, democracia, o Estado de direito e a liberdade de expressão", disse Bozdag a jornalistas turcos em Estrasburgo, França, noticiou a agência Anadolu.

O ministro da Justiça turco garantiu que cancelaria a sua visita à Alemanha e regressaria à Turquia.

O pavilhão de Gaggenau tinha sido arrendado pela União de Democratas Europeus Turcos (UETD) para acolher o ato fundador de uma filial dessa organização num distrito daquele Estado federado, segundo a imprensa local.

A UETD é considerada pelos serviços secretos internos em Baden-Württemberg um braço da formação islâmica no poder na Turquia, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) de Erdogan.

O próprio AKP indicou que a concentração de Gaggenau era uma ação de campanha para o referendo de 16 de abril sobre a reforma constitucional impulsionada pelo Presidente turco, que quer aumentar o poder do chefe de Estado.

As autoridades de Colónia, no Estado federado de Renânia do Norte-Vestefália, no oeste da Alemanha, negaram também autorização para a realização de outra concentração, neste caso do ministro da Economia turco, Nihat Zeybekçi, que devia decorrer no fim de semana.

Na Alemanha, residem cerca de 3,5 milhões de cidadãos de origem turca, dos quais 1,4 milhões estão habilitados a participar na consulta popular na Turquia.

A proibição da concentração ocorreu num contexto de fortes tensões bilaterais, após a detenção e o encarceramento do jornalista turco-alemão Deniz Yücel, correspondente na Turquia do jornal alemão Die Welt.

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