Tunísia prolonga por três meses estado de emergência

"Após consultas com o chefe do Governo e o presidente do parlamento, o Presidente da República decidiu prolongar o estado de emergência", disse a Presidência em comunicado
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O estado de emergência instaurado na Tunísia há dois anos, após uma série de atentados jihadistas sangrentos, foi novamente prolongado, desta vez por três meses, anunciou esta sexta-feira a Presidência tunisina.

"Após consultas com o chefe do Governo e o presidente do parlamento, o Presidente da República decidiu prolongar o estado de emergência em todo o território por três meses, a contar de 12 de novembro", indicou a Presidência em comunicado.

Em vigor desde um atentado contra a guarda presidencial, a 24 de novembro de 2015, em plena Tunes, que matou 12 agentes, o estado de emergência já foi prolongado mais de uma dezena de vezes desde fevereiro de 2016.

Esta medida outorga poderes de exceção às forças da ordem, permitindo nomeadamente a proibição de greves e de reuniões "cuja natureza se destine a provocar a desordem" ou ainda a adoção de medidas "para assegurar o controlo da imprensa".

O último ataque de grandes dimensões na Tunísia remonta a março de 2016, quando dezenas de jihadistas atacaram instalações de segurança em Ben Guerdane, no sul do país, mas são regularmente anunciados desmantelamentos de células 'jihadistas'.

A 1 de novembro, dois polícias foram esfaqueados por um extremista, em frente ao parlamento, e um deles sucumbiu aos ferimentos.

Esse ataque relançou o debate sobre um projeto de lei dito "de proteção" das forças de segurança (polícias, guardas republicanos e militares), muito criticada pela sociedade civil.

Desde a revolução que pôs fim à ditadura, em 2011, a Tunísia tem enfrentado um crescendo do movimento 'jihadista' que fez várias dezenas de mortos, nomeadamente polícias, militares e turistas estrangeiros.

Além do atentado contra a guarda presidencial, outros dois grandes ataques também reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) tinham ocorrido no país em 2015, em Tunes e Sousse (leste), fazendo, no total, 60 mortos, dos quais 59 eram turistas estrangeiros.

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