Tufão Talim causa dois mortos e três desaparecidos no Japão

As chuvas fortes causaram inundações e deslizamentos de terras que já obstruíram estradas e deixaram 700 casas isoladas

Duas pessoas morreram e três continuavam esta terça-feira desaparecidas na sequência da passagem do tufão Talim pelo Japão, onde causou distúrbios na rede de transportes devido às chuvas e ventos fortes no arquipélago.

Convertido num sistema de baixa pressão atmosférica depois de ter passado no domingo a tempestade tropical, o Talim encontrava-se na madrugada desta terça-feira no extremo sul da ilha russa de Sacalina, a norte da ilha nipónica de Hokkaido, segundo os dados da Agência Meteorológica do Japão (JMA).

O 18º tufão da temporada no Pacífico tocou terra na ilha meridional de Kyushu no passado domingo antes de atravessar o oeste e centro nipónico e atingir Hokkaido na segunda-feira.

Duas pessoas morreram, três estão desaparecidas e mais de 50 ficaram feridas devido aos ventos e chuvas fortes que causaram deslizamentos de terra e inundações ao longo de todo o arquipélago japonês, indicou a estação de televisão pública NHK.

As vítimas mortais são uma mulher de 86 anos, que morreu em Kagawa (norte da ilha de Shikoku), na sequência de um deslizamento de terra, e um homem com cerca de 60 anos, arrastado para um rio dentro de um carro, em Kochi, também em Shikoku.

As autoridades locais de Kochi e Oita (na ilha de Kyushu) procuram três homens que continuam desaparecidos após terem abandonado as suas residências durante o temporal.

As chuvas fortes causaram graves inundações e deslizamentos de terras, como os registados em Oita, onde o lodo chegou a obstruir as estradas e deixou isolados cerca de 700 lares, segundo a NHK.

À sua passagem pelo Japão, o Talim também causou importantes alterações na rede de transporte do arquipélago nos últimos dois dias.

Mais de um milhar de voos nacionais foram cancelados entre o domingo e na segunda, e a rede de comboios, tanto a de alta velocidade como a local, e as ligações por ferry também foram afetadas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Alemanha

Lar de Dresden combate demência ao estilo Adeus, Lenin!

Uma moto, numa sala de cinema, num lar de idosos, ajudou a projetar memórias esquecidas. O AlexA, na cidade de Dresden, no leste da Alemanha, tem duas salas dedicadas às recordações da RDA. Dos móveis aos produtos de supermercado, tudo recuperado de uma Alemanha que deixou de existir com a queda do Muro de Berlim. Uma viagem no tempo para ajudar os pacientes com demências.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.