Tufão enfraquece mas mau tempo continua em Macau

Balanço provisório aponta para 17 feridos. Nível das águas começa a baixar e autoridades planeiam trabalhos de limpeza

O alerta de subida do nível das águas ("storm surge") foi cancelado em Macau, numa altura em que o tufão Mangkhut continua a perder força após ter entrado em terra no Sul da China, a oeste de Macau, na província de Guangdong.

O sinal número 8 de aviso de tempestade - o terceiro mais elevado - continua içado, mas espera-se que seja substituído pelo sinal número 3 de madrugada.

O balanço provisório da Proteção Civil indica 17 feridos e quase 200 incidentes sobretudo queda de toldos, reclames, janelas e queda de árvores e andaimes e inundações, que atingiram sobretudo as zonas baixas da cidade.

Ainda não é possível ter uma ideia do verdadeiro impacto do tufão, uma vez que a fúria da tempestade entrou pela noite dentro, não havendo ainda a noção da dimensão dos estragos. Só amanhã quando o sol nascer é que a cidade vai acordar para a realidade pós-tufão. Os próximos dias vão ser de limpeza e recuperação.

O impacto do tufão já levou o Chefe do Governo de Macau a emitir um despacho no qual se determina o encerramento de todos os serviços públicos na segunda-feira, com exceção daqueles integrados na estrutura da Proteção Civil e de representação exterior.

Todas as instituições de ensino superior em Macau também decidiram suspender a sua atividade na segunda-feira.

Já as instalações culturais sob a alçada do Instituto Cultural, incluindo locais relacionados com a promoção do património, bibliotecas públicas, museus e salas de exposições, entre outras, serão encerradas na segunda e na terça-feira ao público para que se proceda à inspeção e limpeza daqueles espaços.

Uma das preocupações diz respeito ao lixos e objetos espalhados pelas ruas. As autoridades alertam para os perigos para a saúde pública assim que o nível das águas baixarem.

Numa conferência de imprensa realizada ao fim da tarde, o Chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, manifestou a atenção ao facto de duas mil famílias terem sido afetadas pela suspensão da eletricidade, afirmando ter dado instruções no sentido de se proceder, o mais rápido possível, à reposição da energia elétrica.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.