Trump apela à união e garante: "americanos também são dreamers"

Recebido no Congresso com fortes aplausos, mas também pelo silêncio da oposição, o presidente dos EUA estendeu a mão a republicanos e democratas no seu primeiro discurso do Estado da União.

Trump começou o seu primeiro Estado da União por apelar ao fim das divisões entre democratas e republicanos. "Hoje apelo a que ponhamos de parte as nossas diferenças", lançou. E terminou com um elogiou ao povo americano. "O povo construiu este país e o povo vai manter a América grande outra vez", rematou, ao fim de quase uma hora e meia de discurso. Mais uma vez sob uma ovação dos eleitos republicanos mas perante o silêncio dos democratas.

Diante das duas câmaras do Congresso e de muitos milhões de americanos que assistiam pela televisão, o presidente republicano descreveu ainda as conquistas da economia americana. "O estado da nossa união é forte", garantiu, antes de elogiar os "maiores cortes nos impostos da história americana". Destacando os 2,4 milhões de empregos novos criados, que explicam um desemprego - nos 4,1%, ao nível mais baixo dos últimos "45 anos", Trump afirmou-se ", muito orgulhoso"

Veja aqui o discurso na íntegra:

Apresentado por Paul Ryan, o presidente da Câmara dos Representantes, Donald Trump começa por lembrar que há um ano, quando ali discursou pela primeira vez, a "maré de otimismo" já tinha começado. Passados 12 meses, diz, fizeram-se "muitos progressos" para "tornar a América Grande outra vez. Para todos os americanos". E por isso disse estar ali esta noite para "estender a mão aos membros de ambos os partidos". Porque "os americanos também são dreamers" - como são conhecidos os filhos dos imigrantes ilegais entrados nos EUA em crianças e aos quais a Administração Obama deu direitos de residência e trabalho. Trump suspendeu programa DACA e pediu ao Congresso para arranjar uma solução. Mas perante a paralisação do governo a 20 de janeiro, o presidente apresentou uma proposta para legalizar 1,8 milhões de dreamers em troca de 25 mil milhões de dólares para construir o muro na fronteira com o México. E acrescentou a ideia de um prazo de 12 anos para esses dreamers conseguirem a cidadania americana.

"Os americanos também são dreamers", garantiu. Se democratas e republicanos não chegarem a acordo, a 8 de fevereiro, o governo americano pode voltar a sofrer um shutdown (encerramento). Por isso, Trump afirmou que o seu dever sagrado é defender os americanos. E desafiou o Congresso a arranjar uma solução. "Durante 30 anos, Washington tentou resolver este problema e falhou. Este Congresso pode ser o que finalmente consegue fazê-lo", afirmou.

Mantendo a ideia de união, Trump garantiu que "não há melhor momento para começar a viver o sonho americano". Apelando a "todos os cidadãos que me estão a ver em casa hoje. Não importa onde estão ou de onde vieram", o presidente pediu que "se acreditam na América, então podem sonhar com qualquer coisa, podem ser o que quiserem e, juntos, podemos conseguir tudo".

Mas não deixou de chamar a atenção para os perigos da imigração ilegais. E garantiu que a guarda fronteiriça vai todo o apoio para que casos como o de Cuevas e Nisa Mickens, as duas adolescentes mortas por membros de um gangue de El Salvador em setembro de 2016, e cujas famílias estavam no Congresso, não se repitam.

Depois de uma homenagem aos veterano, Trump volta as atenções para o sector da energia, destacando o facto de que a América é agora "um orgulhoso exportador de energia para o mundo". Para o presidente republicano, "acabou a guerra ao carvão limpo", destacando que muitas empresas automóveis estão a construir e expandir as suas oficinas nos EUA.

Quanto ao comércio, o milionário manteve a ideia de América Primeiro, garantindo que irão rever os tratados comerciais e assinar novos e "melhores".

Sublinhando outra promessa de campanha, Trump garantiu que em termos de infraestruturas, a sua Administração vai apostar na segurança, velocidade e modernidade. Para isso pediu ao Congresso que produza um projeto de lei de pelo menos 1,5 biliões de dólares para a construção de estradas, pontes e outras obras públicas.

O discurso não podia terminar sem uma referência à segurança nacional. Pedindo mais financiamento para as forças armadas, Trump sublinhou a importância de "modernizar e reconstruir" o arsenal nuclear americano para "deter qualquer ato de agressão". Uma frase a pensar na Coreia do Norte, que nos últimos meses tem ameaçado atacar o território americano.

Saudando a capacidade dos EUA e dos seus aliados para "extinguir o ISIS da face da terra", Trump anuncia ainda a revogação da decisão de Obama para encerrar a prisão da base de Guantánamo, conhecida por receber suspeitos de terrorismo sem terem sido julgados após o 11 de Setembro. Os atentados de 2001 fizeram quase 3000 mortos nos EUA.

Saudando a sua própria decisão de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, Trump sublinhou que a ajuda dos EUA deve ir apenas para os "amigos", numa referência direta aos palestinianos. E garantiu ainda que a América "está ao lado do povo do Irão na sua luta pela liberdade".

A sua primeira homenagem foi para membros das equipas de emergência que trabalharam na resposta aos furacões Harvey e Maria e aos fogos na Califórnia e que convidou para estarem presentes esta noite no Congresso, em Washington DC, para assistirem ao seu primeiro discurso do Estado da União. Trump não esquece também o soldador Steve Staub, do Ohio, que deu como exemplo dos benefícios da sua reforma dos impostos - a grande vitória do seu primeiro mandato.

Uma América "forte, segura e orgulhosa" foi o tema do primeiro discurso do estado da União de Donald Trump. Às 21.00 de terça-feira em Washington (02.00 de quarta-feira em Lisboa) o presidente dirigiu-se à nação e a mensagem foi clara: após um ano de presidência Trump, a América está de volta. Trump entrou na Câmara dos Representantes sob os aplausos da maioria parte dos 435 congressistas, dos cem senadores e de alguns dos juízes do Supremo Tribunal

A sala estava cheia à espera da chegada do presidente. A primeira-dama, Melania Trump também foi aplaudida à chegada, tal como os membros da Administração e quatro dos nove juízes do Supremo.

A primeira-dama foi a primeira a seguir para o Capitólio, onde assistiu ao discurso do marido na companhia dos convidados da Casa Branca: um soldador do Ohio que terá beneficiado da reforma dos impostos aprovada em 2017, veteranos do exército e os pais das crianças mortas por um gangue de El Salvador. Convidados que Trump foi destacando ao longo do seu discurso, arrancando palmas à sala.

Os democratas, cuja resposta ao discurso do presidente foi feita pelo congressista Joe Kennedy, representante do Massachusetts e sobrinho-neto do presidente Kennedy, também levam convidados. Desde uma sargento que mudou de sexo até dreamers e vítimas de assédio sexual. No seu discurso de resposta, esperava-se que Kennedy afirmasse que: "É fácil reduzir os últimos anos ao caos, partidarismo, mas foram muito mais do que isso". Segundo a NBC News, o congressista de 37 anos devia ainda acrescentar: "Esta Administração não está só a atacar as leis que nos protegem, está a atacar a simples ideia de que merecemos proteção. E esperava-se que rematasse que "os bullies merecem uma resposta".

Ao viajarem separados para o Capitólio a partir da Casa Branca, Trump e Melania estão a quebrar uma tradição. Segundo o gabinete da primeira-dama, foi uma forma de "honrar os convidados, uns verdadeiros heróis". O presidente saiu da Casa Branca mais de meia hora depois da mulher, tendo entrado no carro com uma resma de papéis na mão.

Durante a semana, Trump foi praticando o discurso na Sala dos Mapas na Casa Branca e, segundo a porta-voz Sarah Huckabee Sanders, foi fazendo pequenas mudanças para incluir um apelo aos democratas em assuntos como a imigração.

Este foi um dos temas principais do Estado da União. Trump dirigiu-se às duas câmaras do Congresso apenas uma vez, a 28 de fevereiro de 2017. Mas por ter tomado posse pouco mais de um mês anos esse discurso não foi oficialmente um Estado da União.

Veja aqui o discurso de 2017:

Agora foi com uma popularidade nos 36%, uma guerra aberta com o FBI e uma investigação às alegadas ingerências russas nas presidenciais de 2016 a apertar cada vez mais o cerco à sua Administração e a si próprio que Trump se dirige à nação - e ao mundo - para fazer o balanço do primeiro ano de mandato e lançar os desafios para o futuro.

Em ano de eleições intercalares - em novembro vão a votos todos os membros da Câmara dos Representantes e um terço dos senadores -, os democratas apostam em boa parte na falta de popularidade do presidente para recuperar pelo menos uma das câmaras do Congresso. Neste momento ambas são dominadas pelos republicanos.

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Nuno Artur Silva

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