Trump responde ao livro sobre a Casa Branca: "Fontes falsas, fraudes"

O presidente norte-americano e a sua equipa tentam desacreditar livro sobre o "esgotamento nervoso" dos mais próximos de Trump. Bob Woodward recebe apoio do porta-voz da Casa Branca no tempo de George W. Bush.

O presidente dos Estados Unidos reagiu à notícia do Washington Post sobre a publicação de Fear: Trump in the White House, de Bob Woodward, com várias mensagens no Twitter, uma declaração da porta-voz da Casa Branca e transcrições de declarações de alguns dos visados no livro.

O livro faz um retrato demolidor de como os funcionários de topo da Casa Branca tentam contrariar os impulsos de Trump através de um "golpe de Estado administrativo", escondendo documentos ou afirmando uma coisa e fazendo outra.

"O livro de Woodward já foi refutado e negado pelo general (secretário da Defesa) James Mattis e general (chefe de gabinete) John Kelly. As suas citações são fraudes, uma vigarice para o público. O mesmo para outras histórias e citações", reagiu Trump numa das várias mensagens que escreveu ou reenviou no Twitter. Nesta termina pondo em causa a integridade do jornalista, alegando que está a fazer o jogo da oposição democrata tendo em conta as eleições intercalares de novembro: "Woodward é um operacional dos democratas? Reparam no momento [da publicação]?"

Bob Woodward é um dos mais respeitados jornalistas norte-americanos. Contribuiu para dois prémios Pulitzer atribuídos ao Post em 1973 (pela investigação ao escândalo Watergate) e em 2002, pela cobertura jornalística dos ataques terroristas do 11 de Setembro.

Entre outros temas, Woodward escreveu livros sobre as presidências de Richard Nixon, George Bush, Bill Clinton, W. Bush e Obama.
Sobre o antecessor e Woodward, Trump defendeu o jornalista em 2013, quando este escreveu algo pouco abonatório sobre Obama e terá sido criticado pela Casa Branca: "Só Obama pode safar-se ao atacar Bob Woodward".

Num telefonema entre o presidente e o jornalista, gravado com o acordo de Trump, e divulgado na terça-feira pelo Washington Post, Trump reconhece que o jornalista o tratou "sempre de forma justa".

Nessa chamada, realizada quando o livro já estava concluído, Woodward lamenta que a equipa do presidente não tenha passado a mensagem de que queria entrevistar Trump.

No entanto, ao fim do dia, o presidente já dava outra dica sobre o que achava de Bob Woodward e de Fear. "É só mais um mau livro. Ele tem tido uma série de problemas de credibilidade", disse em entrevista a um site conservador, Daily Caller.

Em concreto, negou que o conselheiro de economia Gary Cohn tenha tirado documentos da sua secretária. "Pode ter sido simplesmente inventado pelo autor", afirmou.

Gary Cohn, que já não desempenha funções na equipa presidencial, não reagiu às notícias.

Pelo contrário, o secretário da Defesa James Mattis, a quem são atribuídas frases pouco abonatórias sobre as capacidades mentais e dos conhecimentos de Trump ("agia e tinha a compreensão de um aluno do quinto ou do sexto ano") e que terá impedido a vontade de o chefe de Estado querer matar Bashar al-Assad, qualificou o livro de um "género único de literatura de Washington" e que as "fontes anónimas não lhe dão credibilidade".

Também o chefe de gabinete da Casa Branca respondeu de forma categórica, embora arrevesada: "A ideia de que alguma vez tenha chamado o presidente de idiota não é verdade, na verdade é exatamente o contrário."

Por fim, o presidente publicou também uma reação da porta-voz da Casa Branca. "Este livro não é mais do que histórias fabricadas, muitas dos quais por ex-funcionários frustrados, contadas para dar uma má imagem do presidente (...) por vezes ele não é convencional, mas consegue sempre obter resultados", escreveu Sarah Sanders.

Opinião diversa tem o seu antecessor na presidência de George W. Bush.

Também no Twitter, Ari Fleischer lembrou que foi visado num livro de Bob Woodward e que não gostou do que leu mas nunca pôs em causa a honestidade do autor: "As fontes anónimas tomam certas liberdades, mas Woodward trabalha de forma correta. Alguém lhe disse aquilo."

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