Trump rejeita relatório da sua Casa Branca sobre alterações climáticas. "Não acredito nisso"

Estudo foi realizado pela própria administração norte-americana e aponta para perdas de milhares de milhões de dólares na economia se não forem tomadas medidas

O presidente Donald Trump rejeitou esta segunda-feira um estudo produzido pela sua própria administração, envolvendo 13 agências federais e mais de 300 cientistas do clima, alertando sobre o impacto potencialmente catastrófico nos Estados Unidos da América das alterações climáticas.

"Não acredito", afirmou Trump aos jornalistas, citado pela CNN, acrescentando que leu "alguma parte" do relatório.

O estudo constata que a mudança climática custará aos EUA centenas de biliões de dólares e prejudicará a saúde humana.

Desde que tomou posse a administração Trump prossegue uma agenda de manter os combustíveis fósseis. Quase todos os cientistas do mundo concordam que as alterações climáticas são induzidas pelo homem e advertem que as flutuações naturais de temperatura estão a ser exacerbadas pela atividade humana.

O presidente dos EUA disse que "leu alguns" pontos do relatório apresentado na sexta-feira. Mas acrescentou que os EUA não tomarão medidas para reduzir as emissões, a menos que o mesmo seja feito por outros países.

"Teremos que ter China, Japão, toda a Ásia e todos os outros países. Sabem que [o relatório] se dirige ao nosso país. Agora estamos caminho no mais limpo que alguma vez tivemos e isso é muito importante para mim. Mas se estamos limpos, e todos os outros lugares da terra estão sujos, isso não é tão bom", afirmou Trump.

A ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton já reagiu e acusou o governo Trump de tentar esconder o relatório.

Relatório alerta para perda económica

O relatório é a Quarta Avaliação Nacional do Clima e elenca os possíveis impactos das alterações climáticas em todos os setores da sociedade americana. "Com o crescimento contínuo das emissões a taxas históricas, projeta-se que as perdas anuais em alguns setores económicos atinjam centenas de biliões de dólares até ao final do século - mais do que o produto interno bruto (PIB) atual de muitos estados dos EUA", aponta o relatório.

"Sem uma mitigação global substancial e sustentada, e esforços de adaptação regional, espera-se que as alterações climáticas causem perdas crescentes à infraestrutura e propriedade americanas e afete a taxa de crescimento económico ao longo deste século."

O relatório observa que os efeitos das alterações climáticas já se sentem em todo o país, incluindo eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos. Mas diz que as projeções de futuras catástrofes podem mudar se a sociedade trabalhar para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e "se adaptar às mudanças que ocorrerão".

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