Trump pede fundos para o seu muro e o setor militar

Casa Branca prevê ainda 200 mil milhões de dólares federais para estimular investimentos de 1,5 biliões em infraestruturas

Donald Trump divulgou ontem o seu segundo orçamento, com o qual pretende aumentar os gastos militares e pedir fundos para infraestruturas, a construção do muro na fronteira com o México e programas de tratamento de opioides. Esta proposta de orçamento de 4,4 biliões de dólares (cerca de 3,5 biliões de euros), que é visto pelo Congresso como uma mera sugestão, irá provavelmente ser criticado pelos conservadores que se preocupam com o facto de os republicanos estarem a adotar gastos deficitários.

A proposta de Donald Trump para o ano fiscal de 2019 - que vai de 1 de outubro de 2018 a 30 de setembro de 2019 - inclui 200 mil milhões de dólares para despesas em infraestruturas e mais de 23 mil milhões para a segurança das fronteiras e imigração, bem como 716 mil milhões em gastos em programas militares e para manter o arsenal nuclear dos Estados Unidos. Entre as despesas militares está Guantánamo, cujo centro de detenção Trump anunciou, no seu discurso do Estado da União, que iria continuar a funcionar.

O muito prometido muro na fronteira com o México também não foi esquecido, estando prevista uma verba de 18 mil milhões de dólares (14,6 mil milhões de euros) durante dois anos. O combate à epidemia dos opioides, outra das bandeiras da administração Trump, tem adjudicado um orçamento de 13 mil milhões por dois anos.

Para tentar mostrar aos conservadores que a Casa Branca tem disciplina fiscal, este orçamento recomenda um corte em gastos não militares que levem a uma descida do défice federal de cerca de três biliões num espaço de dez anos.

O pedido de orçamento de Donald Trump irá agora para o Congresso, dias depois de o presidente ter assinado um acordo bipartidário que aumenta as despesas domésticas em 300 mil milhões nos próximos dois anos - incluindo 165 mil milhões em novas despesas militares e 131 mil milhões e gastos internos não militares. Os orçamentos presidenciais são frequentemente ignorados pelo Congresso, que controla os fundos federais.

O plano apresentado ontem pela Casa Branca contém ainda várias previsões económicas e baseia-se em estimativas de que a economia vai continuar a crescer a um ritmo acelerado no futuro previsível, premissa fundamental para ajudar a cobrir o custo da reforma fiscal (no valor de 1,5 biliões) aprovada pelo Congresso em dezembro.

Trump pretende ainda 200 mil milhões de dólares do orçamento federal para estimular investimentos no valor de 1,5 biliões de dólares em infraestruturas nos próximos dez anos com parceiros estaduais, locais e privados. O plano da Casa Branca para as infraestruturas que foi divulgado ontem também poderá mudar a forma como o governo federal financia estradas, pontes, autoestradas e outros projetos. Se seguir em frente, muitos americanos poderão ter de enfrentar um aumento dos impostos locais, taxas e portagens. "É tempo de dar aos americanos as infraestruturas modernas e funcionais que eles merecem", disse Trump na mensagem ao Congresso que acompanha esta proposta.

De acordo com documentos da NASA a que o The Washington Post teve acesso, Donald Trump está a considerar a possibilidade de privatizar a Estação Espacial Internacional (EEI) e cortar o seu financiamento até 2024. A NASA gasta anualmente mais de três mil milhões de dólares com esta infraestrutura.

Durante a presidência de George W. Bush, a NASA começou a entregar a privados determinadas operações, como voos de abastecimento (que são agora responsabilidade de empresas como a SpaceX e a Orbital ATK), uma tendência que se acentuou durante a administração de Barack Obama.

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