Trump não recua e UE avalia plataformas de desembarque

Presidente dos EUA insiste na política de tolerância zero, apesar das críticas. Deste lado do Atlântico, Tusk propõe centros de triagem para migrantes económicos e refugiados

A questão migratória marca a agenda dos dois lados do Atlântico. Nos EUA, o presidente norte-americano, Donald Trump, mantém-se firme na sua política de tolerância zero, mesmo que isso signifique a separação de pais e filhos migrantes na fronteira. Do lado de cá, em vésperas do Conselho Europeu de 28 e 29 de junho, Donald Tusk propõe criar "plataformas de desembarque regionais", que mais não são do que centros de triagem fora da União Europeia para diferenciar entre migrantes económicos e refugiados oriundos de países em guerra e a precisar de proteção internacional.

Nos EUA, depois das imagens dos locais com jaulas para onde os menores são levados quando são separados dos pais - que ao abrigo da política de Trump são sempre acusados de um crime após serem apanhados em situação ilegal no país - os norte-americanos depararam-se com os sons do choro de crianças num desses centros. O funcionário brinca, dizendo que se trata de uma "orquestra" e só falta "o maestro". Uma comentadora conservadora, Ann Coulter, disse que se trata de "atores" e pediu ao presidente para não cair na conversa.

Apesar disso, Trump mantém-se firme, reiterando que só um acordo entre republicanos e democratas no Congresso poderá resolver a situação. "Temos sempre de prender as pessoas que entram no nosso país ilegalmente. Das 12 mil crianças [que estão nestes centros], dez mil estão a ser enviadas pelos pais numa viagem muito perigosa [cruzam sozinhas a fronteira] e só duas mil estão com os pais, muitos deles tentaram entrar no nosso país ilegalmente em várias ocasiões", escreveu Trump. "Se não temos fronteiras, não temos um país!", acrescentou o presidente.

Do lado dos países de origem de migrantes, os apelos são para o fim da situação. "É uma política cruel e desumana", disse o chefe da diplomacia mexicano, Luis Videgaray, enquanto o presidente das Honduras, Juan Orlando Hernández, criticou a política "que viola o princípio universal do interesse superior da criança". Segundo os media norte-americanos, os EUA preparam-se entretanto para deixar o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que consideram anti-Israel.

União Europeia

Deste lado do Atlântico cresce a pressão para alterar a política migratória. De um lado, estão países como a Itália, com um novo governo anti-imigração, ou a Alemanha, com a chanceler Angela Merkel sob pressão dos próprios aliados, do outro, a Hungria ou a Polónia, que têm rejeitado o sistema de quotas obrigatórias para a redistribuição de refugiados que chegam ao espaço europeu.

Segundo o esboço do comunicado do Conselho Europeu, que vai realizar-se para a semana em Bruxelas, a ideia será impedir os requerentes de asilo de deixarem o país onde se registaram, assim como criar centros fora das fronteiras europeias que permitam fazer uma triagem entre migrantes económicos e refugiados.

A proposta é do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que não especifica que países serão esses - no passado, face a ideias semelhantes, falou-se da Tunísia ou da Albânia. As "plataformas de desembarque" seriam destinadas aos migrantes que, apesar de todas as medidas implementadas, tentem atravessar o Mediterrâneo, sendo "resgatados ao abrigo das operações de busca e salvamento".

Entretanto, Merkel e o presidente francês, Emmanuel Macron, defendem um acordo para reenviar os pedidos de asilo para o país onde o migrante foi registado primeiro - aliviando assim ambos os países, visto que a maioria dos migrantes que chegam à Alemanha ou a França vêm da Líbia e chegam via Itália.

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