Trump enfraquecido por acusações cai ainda mais nas sondagens

Um dos acusados foi elogiado publicamente pelo presidente em 2016. A sua taxa de aprovação é a mais baixa de um dirigente do país no primeiro ano de mandato.Casa Branca garante colaboração com Robert Mueller.

A Casa Branca, os colaboradores mais próximos de Donald Trump e ele próprio procuravam ontem, de forma frenética, minimizar os efeitos das revelações e acusações feitas no dia anterior a Paul Manafort, Rick Gates e George Papadopoulos, envolvidos na campanha do presidente republicano em 2016.

Das acusações feitas a Manafort, Gates e Papadopoulos, apenas as relativas ao último têm ligação com a campanha, com este a procurar ativamente obter informações comprometedoras sobre a adversária de Trump nas presidenciais, a democrata Hillary Clinton. O que explica que o presidente, nas habituais mensagens no Twitter ao início do dia, tenha caracterizado o "jovem voluntário, sem qualquer importância, George" como "mentiroso" e alguém que "poucos conheciam". Na tentativa de desvalorizar não só a atuação daquele como o facto de Papadopoulos colaborar com a investigação do procurador especial Robert Mueller, com o que isso pode implicar para o presidente.

No entanto, os media americanos recordavam que, numa entrevista ao The Washington Post, em 2016, Trump descreveu Papadopoulos como "excelente pessoa".

Trump - que estaria em estado de "ebulição" com o curso da investigação, referiam vários órgãos de comunicação social dos EUA citando fontes anónimas da Casa Branca - insistiu no argumento que as acusações dirigidas a Manafort e Gates nada têm a ver com a campanha de 2016. E martelou a tecla que há também democratas a serem investigados por Mueller, de quem pouco ou nada se fala. Caso de Tony Podesta, forçado a demitir-se da empresa que dirigia por esta ter sido contratada por Manafort quando este fazia lóbi pela Ucrânia. Podesta fez importantes contribuições financeiras para os democratas e para a campanha de Hillary, que teve como diretor o irmão de Tony, John.

Posteriormente, na habitual conferência de imprensa na Casa Branca, a porta-voz Sarah Sanders explicou que "a campanha de Trump entregou "voluntariamente todas as mensagens eletrónicas de Papadopoulos" à equipa de Mueller. "Creio que Papadopoulos é o exemplo de alguém atuar de forma errada enquanto a campanha do presidente fez o que estava certo". Sanders garantiu que a Casa Branca estava a colaborar com a investigação, desmentindo informações que circularam entre a noite de segunda e a manhã de ontem que Trump ponderava o afastamento de Mueller. O que o advogado da Casa Branca, Ty Cobb, desmentiu perentoriamente.

Num desenvolvimento paralelo, a posição de Trump continua a deteriorar-se, de forma significativa, nas sondagens, atingindo valores negativos históricos. E isto em sondagens cujos trabalhos de campo foram realizados antes ainda dos acontecimentos de segunda-feira. Uma sondagem Gallup, divulgada neste dia, colocava Trump apenas com 33% de taxa de aprovação enquanto presidente e 62% de apreciação negativa. Desde a presidência de Dwight Einsenhower (1953-1961), notava ontem a revista The Week, só dois outros presidentes registaram números tão baixos: Richard Nixon e George W. Bush.

Uma outra sondagem, esta da NBC News/The Wall Street Journal divulgada no domingo, descrevia a mesma tendência de queda, com o presidente a obter apenas 38% de taxa de aprovação. Em contrapartida, a taxa dos que discordam da atuação de Trump era de 58%.Nesta sondagem, o presidente consegue obter taxas de aprovação relevantes em duas áreas: o modo como atuou na altura dos furacões que atingiram o Texas e a Florida (mas não no caso de Porto Rico) e na gestão da economia. Nestes dois pontos, obtém, respetivamente, 48% e 42% de aprovação, com 27% e 37% a discordarem da sua atuação.

Estes são os valores mais baixos de aprovação registados por um presidente no primeiro ano de mandato, recordando a NBC que, para o mesmo momento na presidência de George W. Bush, Barack Obama e Bill Clinton, estes apresentavam, respetivamente, taxas de aprovação de 88%, 51% e 47%.

A popularidade pessoal de Trump está também em queda. Passou de 39% em setembro para 36% em outubro. O que não deixa de ter reflexos no partido republicano e no controlo que este detém, no presente, sobre as duas Câmaras do Congresso. A sondagem NBC News/The Wall Street Journal mostra que, para as eleições intercalares do próximo ano, uma maioria dos votantes pronunciou-se a favor de um Congresso controlados pelos democratas (48% a favor e 41% contra), isto em tendência ascendente.

A sondagem foi realizada em conjunto por dois institutos, um ligado aos democratas (Hart Research Associates) e outro aos republicanos (Public Opinion Strategies), sendo que para o responsável deste último, Bill McInturff, está-se perante uma evidente "luz amarela" para o presidente e o seu partido.

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