Trump diz que nunca pediu ao ex-diretor do FBI para não investigar Flynn

Comey, antigo diretor do FBI, foi despedido por Trump no passado mês de maio. Flynn, ex-conselheiro para a segurança nacional do presidente dos EUA, já admitiu ter mentido ao FBI

O presidente dos EUA escreveu este domingo no Twitter que nunca pediu ao antigo diretor do FBI, James Comey, para parar de investigar Michael Flynn, antigo conselheiro de Trump para a segurança nacional.

Flynn é o primeiro membro da administração Trump a dar-se como culpado de um crime na investigação do conselheiro especial Robert Mueller, que procura apurar se houve ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016 nos EUA.

Trump despediu Comey do cargo de diretor do FBI em maio passado.

"Nunca pedi a Comey para parar de investigar Flynn. Mais notícias falsas a cobrir uma mentira de Comey!", escreveu o presidente dos EUA.

Numa série de 'tweets', Trump continuou a atacar o FBI, acrescentando que a reputação da agência é "a pior da história" e partilhou um 'tweet' sugerindo que o diretor atual do FBI, Chris Wray, precisa de "limpar a casa". "Vamos trazer o FBI de volta à sua grandeza", acrescentou ainda o presidente dos EUA.

Os 'tweets' de Trump sobre o FBI vêm na sequência da notícia, ontem divulgada, de que um agente veterano do FBI foi retirado da equipa de investigação do conselheiro especial Mueller durante o verão, depois de ter trocado mensagens potencialmente anti-Trump. O mesmo agente trabalhou na investigação a Hillary Clinton, motivada pelo uso da antiga secretária de Estado dos EUA de um servidor privado de e-mail quando pertencia à administração Obama.

No Congresso, em junho, Comey referiu que o Presidente dos Estados Unidos se dirigiu a ele para perguntar se seria possível "deixar Flynn ir".

Comey, que Trump demitiu de diretor do FBI em maio, disse que o pedido veio um dia depois do Presidente dos Estados Unidos ter obrigado Flynn a renunciar.

Na sexta-feira, Flynn assumiu que mentiu ao FBI e manifestou disponibilidade para colaborar com a investigação de Robert Mueller sobre a ingerência russa nas eleições norte-americanas de 2016.

O Presidente norte-americano afirmou que o ex-conselheiro Michael Flynn nada fez de ilegal entre a sua vitória eleitoral e a chegada à Casa Branca.

"Tive de despedir o general Flynn porque ele mentiu ao vice-presidente e ao FBI. Ele declarou-se culpado dessas mentiras. É triste, porque as suas ações durante a transição foram legais. Não havia nada a esconder!", escreveu Donald Trump, na sua conta da rede social Twitter, no sábado.

Com esta mensagem, Trump parece admitir que sabia que o seu conselheiro para a Segurança Nacional tinha mentido ao FBI -- uma questão muito sensível, já que na altura em que Michael Flynn foi demitido, a justificação da Casa Branca incidiu apenas sobre o facto de ele ter mentido ao vice-presidente, Mike Pence, sobre a natureza dos seus contactos com o embaixador russo em Washington durante a campanha presidencial de 2016.

A relação entre Donald Trump e Michael Flynn tem sido alvo de particular atenção desde o despedimento, em maio, do diretor do FBI, James Comey.

Com Lusa

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