Trump diz que Bolton foi um desastre e passou das marcas

Presidente norte-americano, Donald Trump, considerou que o Conselheiro de Segurança Nacional cessante foi um desastre em relação à Coreia do Norte e passou das marcas no que toca à situação na Venezuela

Donald Trump disse esta quarta-feira aquilo que realmente pensa sobre John Bolton, o Conselheiro de Segurança Nacional que despediu na véspera, através do Twitter, a rede social onde insulta toda a gente e faz anúncios importantes. Bolton, de 70 anos, é considerado um duro e um dos ideólogos da invasão do Iraque à margem da ONU no tempo do presidente George W. Bush.

"Sofremos um revés quando John Bolton falou no modelo líbio [para a Coreia do Norte]... que desastre. Ele usou isso para conseguir fazer um acordo com a Coreia do Norte? Não censuro Kim Jong-un pelo que fez depois disso e por não querer nada com John Bolton. E não está em causa o facto de ser duro. Está em causa o facto de não ser inteligente ao dizer uma coisa dessas", disse Trump, aos jornalistas, na Casa Branca. Recorde-se que, no passado, o regime norte-coreano classificou Bolton como "maníaco das guerras" e "escumalha humana".

Quando falhou no modelo, Bolton quis insinuar que Kim Jong-un poderia ter o mesmo fim do que Muammar al-Kadhafi, ou seja, abdicar de um programa nuclear com fins militares em troca do fim das senações e ainda assim acabar por ser morto mais tarde.

Estas declarações do presidente norte-americano surgem um dia depois de a Coreia do Sul ter informado que a Coreia do Norte tinha realizado um teste de lançamento de mísseis no oeste do país e numa altura em que surgiam rumores sobre a disposição do regime de Pyongyang em retomar as negociações com os Estados Unidos sobre a desnuclearização da Península coreana.

Sobre a Venezuela, sem especificar muito, o chefe do Estado norte-americano afirmou sobre John Bolton: "Acho que ele passou das marcas e isso veio a confirmar-se. Ele também não se dava bem com pessoas da Administração que eu considero muito importantes. O John não está alinhado com aquilo que nós estamos a tentar fazer". Trump, refere a Reuters, tem-se mostrado bastante impaciente em relação ao falhanço da campanha liderada pelos EUA contra o regime de Nicolás Maduro na Venezuela e em apoio de Juan Guaidó. Além disso, Bolton é considerado o grande arquiteto da linha dura dos EUA contra o Irão e responsável pelo facto de os norte-americanos terem saído do acordo com os iranianos.

No final de junho, depois de os iranianos terem abatido um drone norte-americano no estreito de Ormuz, Trump decidiu não retaliar. "Estávamos prontinhos para retaliar na noite passada em três sítios diferentes quando eu perguntei, quantos vão morrer? 150, sir, foi a resposta de um general. 10 minutos antes do ataque mandei parar - não era proporcional com o derrube de um drone", escreveu Trump, numa série de tweets, na altura.

A decisão de cancelar o ataque surgiu depois de um dia de encontros entre Trump e os seus principais conselheiros e líderes políticos americanos. Se o secretário da Defesa Mike Pompeo e o Conselheiro para a Segurança Nacional John Bolton defendiam uma linha dura, os líderes do Congresso terão aconselhado Trump a ter calma, segundo noticiou então a Associated Press.

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