Trump disposto a ajudar países da NATO a comprar armas aos EUA

Donald Trump, que já está no Reino Unido, fez uma última declaração importante antes de deixar a cimeira da NATO em Bruxelas: os países aliados que quiserem comprar armamento norte-americano podem contar com a ajuda do presidente dos EUA.

"Temos muitos países ricos connosco aqui hoje, mas outros há que não são tão ricos e que me pediram se poderiam comprar equipamentos militares [aos EUA] e se eu os podia ajudar. Vamos ajudá-los. Naquilo que for possível", disse o chefe do Estado norte-americano, citado pela Reuters.

"Não vamos financiá-los, mas garantiremos que receberão os seus pagamentos e várias outras coisas, para que possam comprar. Porque os EUA fabricam, de longe, os melhores equipamentos militares do mundo: os melhores caças, melhores mísseis, melhores armas, melhores tudo", afirmou em conferência de imprensa, após uma cimeira da NATO muito tensa, no final da qual se declarou o grande vencedor.

"Todos querem comprar os nossos equipamentos... então vamos ajudar os países a cumprirem as suas metas e a comprarem os melhores equipamentos", adiantou o republicano multimilionário, sem estabelecer, porém, uma relação direta entre as exigências - e ameaças - que durante dois dias fez aos seus parceiros da NATO por causa das despesas que cada país deve fazer em matéria de Defesa.

"Lembrem-se da palavra: 33 mil milhões de dólares a mais que eles estão" pagar", vincou Trump, dizendo que tal só foi possível pela pressão que tem colocado aos aliados. "Todos na sala me agradeceram. Houve um belo espírito naquela sala, como não creio que tenham tido em muitos anos. Eles são muito fortes. Muito unidos e muito fortes. No problem!", afirmou o líder norte-americano, expressando a sua visão do resultado do encontro dos chefes do Estado e do governo dos 29 Estados membros da Aliança Atlântica.

Depois de lançar a confusão entre os aliados, Trump seguiu, com a mulher, Melania, para o Reino Unido. E de imediato trocou a polémica da NATO, pela do brexit. "Eu diria que brexit é brexit", declarou aos jornalistas. Trump apoiou no passado a campanha pela saída do Reino Unido da UE e chegou a receber um dos grandes ideólogos do brexit, Nigel Farage, histórico do partido eurocético Ukip.

"Não sei se foi nisto que as pessoas [os eleitores britânicos] votaram", disparou o presidente dos EUA, quando questionado pelos jornalistas sobre o processo de negociações entre Londres e Bruxelas sobre o acordo do brexit. No início deste semana, os ministros dos Negócios Estrangeiros e do Brexit de Theresa May, Boris Johnson e David Davis, respetivamente, demitiram-se. Dois conhecidos eurocéticos, estão contra um acordo de brexit suave.

Trump e Melania foram esta noite recebidos pela primeira-ministra May e o marido no palácio de Blenheim, em Oxforshire, Inglaterra. Com pompa e circunstância a contrastar com os protestos à porta. Empunhando cartazes, os manifestantes denunciaram as violações de diretos humanos da Administração Trump. Nomeadamente no que toca ao tratamento dos imigrantes na fronteira com o México. Esta sexta-feira, o presidente norte-americano e a chefe do governo britânico vão dar uma conferência de imprensa conjunta. A seguir, a Rainha Isabel II recebe Trump no Castelo de Windsor e à noite o casal presidencial chega à Escócia. Aí, Trump pretende jogar golfe no seu campo de golfe de Turnberry durante o dia de sábado.

Na segunda-feira, à sua espera, em Helsínquia, capital da Finlândia, o presidente dos EUA tem o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Os dois líderes acordaram, de antemão, não discutir a controversa anexação da Crimeia pela Rússia à Ucrânia. Depois de na cimeira da NATO ter acusado a Alemanha de Angela Merkel de estar refém dos russos por causa dos negócios do gás, espera-se agora que Trump suscite a alegada interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016. As quais venceu. E, segundo a investigação em curso nos EUA, com a ajuda dos russos. Algo que Putin já veio várias vezes desmentir a público.

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Rosália Amorim

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Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.