Trump defende filha mas é a reunião do filho com russos que o prejudica

Presidente reagiu no Twitter às críticas por Ivanka ter ocupado o seu lugar durante o G20, mas mantém silêncio em relação ao encontro confirmado entre Trump Jr. e uma advogada russa que lhe prometeu podres contra Hillary Clinton

O presidente norte-americano, Donald Trump, saiu ontem em defesa da filha e conselheira Ivanka, alvo de críticas depois de ter sido chamada a sentar-se no lugar do pai durante a cimeira do G20, na Alemanha. Mas manteve o silêncio em relação ao filho Donald Trump Jr., que confirmou ter-se encontrado com uma advogada russa na campanha presidencial depois de esta ter prometido revelar-lhe informações sobre Hillary Clinton. Mais uma peça no puzzle de alegado conluio entre a Rússia e membros da campanha de Trump para o beneficiar, que está a ser investigado nos EUA.

"Quando saí da sala para encontros rápidos com o Japão e outros países, pedi à Ivanka para se sentar no meu lugar. Muito comum. Angela M [Merkel] concorda!", escreveu Trump no Twitter sobre o episódio de sábado, que a chanceler alemã já dissera ser normal. Um delegado russo partilhou a foto, gerando críticas dos que consideraram inapropriado o gesto de Trump. "Se pedissem à Chelsea Clinton para se sentar em vez da mãe, como a mãe dela ofereceu o nosso país, as notícias falsas iriam dizer Chelsea para presidente!", acrescentou noutra mensagem. A filha da ex-secretária de Estado e adversária de Trump e do ex-presidente Bill Clinton respondeu na mesma rede social: "Nunca teria ocorrido à minha mãe ou ao meu pai pedirem-me. Estava a oferecer o nosso país? Espero que não."

Mas, sobre o tema que envolve o filho mais velho, o presidente norte-americano não se pronunciou. Donald Trump Jr. admitiu ter-se encontrado com a advogada russa Natalia Veselnitskaya em julho de 2016, na Trump Tower, numa reunião em que também esteve o marido de Ivanka, Jared Kushner, atual conselheiro de Trump, e o então diretor de campanha do candidato republicano, Paul Manafort. Estes dois últimos revelaram recentemente a existência do encontro, mas não o que foi discutido, segundo documentos governamentais secretos aos quais o The New York Times teve acesso. Donald Jr., que assumiu junto com o irmão Eric os negócios do pai, não tem cargos na administração, pelo que não precisa de revelar os contactos estrangeiros que manteve.

Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin, disse ontem que o Kremlin não conhece Natalia - alegadamente representa empresários próximos do governo -, e que não pode manter-se a par do que fazem os advogados do país.

Num comunicado, Donald Jr. confirmou o encontro com a advogada que alegava ter "informações sobre pessoas ligadas à Rússia que financiavam o Comité Nacional Democrata e que apoiavam Clinton". Contudo, "ficou rapidamente claro que ela não tinha qualquer informação interessante", mas tinha como objetivo discutir a adoção de crianças russas por parte de casais norte-americanos, ao abrigo de um programa suspenso por Putin - depois de os EUA terem aprovado, em 2012, sanções contra vários russos.

Num primeiro comunicado, logo no sábado, quando saiu a notícia do encontro, alegara que só se falara deste último tema. No Twitter, negou ter entrado em contradição. Noutra mensagem ironizou: "Obviamente, sou a primeira pessoa numa campanha a encontrar-se com alguém para ouvir informações de opositores... não deu em nada, mas tinha de ouvir."

A confirmação do encontro entre Donald Jr. e a advogada contradiz as declarações do presidente de que ninguém da campanha se tinha reunido com russos. Isto numa altura em que as alegada ligações entre a campanha de Trump e Moscovo estão a ser investigadas nos EUA - uma republicana na comissão do Senado que investiga o tema, Susan Collins, disse que Donald Jr. devia ser chamado a depor.

A Rússia nega ter interferido na campanha, apesar de os norte-americanos culparem os piratas informáticos russos do roubo de documentos da campanha de Clinton. "Eu pressionei fortemente o presidente Putin duas vezes sobre os russos interferirem nas nossas eleições. Ele negou-o veementemente", escreveu Trump depois do encontro entre os dois, à margem do G20.

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