Trump dá sete anos de vida ao The Washington Post e ao The New York Times

Presidente dos Estados Unidos escreve no Twitter que o Post é uma "máquina de propaganda" da Amazon, empresa de Jeff Bezos, proprietário do jornal

Donald Trump recorreu novamente à sua rede social preferida, o Twitter, para atacar órgãos de comunicação social. O TheWashington Post e o The New York Times, dois dos alvos preferidos, voltam a ser criticados, com o presidente dos Estados Unidos da América a dizer que os dois diários citam constantemente fontes anónimas "que não existem" e que dentro de sete anos já não vão existir.

O presidente dos Estados Unidos aproveitou as notícias que dão conta da "limpeza" que o Twitter está a fazer entre os seus utilizadores para criticar a imprensa. Nos meses de maio e junho, o Twitter suspendeu mais de 70 milhões de contas falsas, isto é, mais de 1 milhão por dia. A notícia foi avançada na sexta-feira... pelo TheWashington Post. A rede social quer melhorar os conteúdos e eliminar as contas que apenas difundem propaganda, muitas vezes com factos falsos.

O número de 70 milhões é, contudo, visto com surpresa por alguns analistas. "É difícil acreditar que 70 milhões de contas tenham sido afetadas quando o Twitter tem cerca de 336 milhões de contas ativas mensalmente", disse Michael Pachter, da Wedbush Securities, citado pela Reuters. Pachter considera que muitas destas contas deviam estar "adormecidas" e, por isso, não vê grande impacto no tráfego no Twitter. Contudo, o Post escreveu que a suspensão de contas está a ter efeito assinalável, colocando em risco o crescimento da rede social.

Trump pega neste facto de suspensão de contas, como se lê na mensagem em causa, para sugerir que sejam incluídas as contas dos dois diários norte-americanos. "Constantemente citam fontes anónimas que, na minha opinião, não existem", escreveu Trump. E foi mais longe ao acrescentar que dentro de sete anos ambos os jornais estarão fora do mercado em sete anos.

É mais um capítulo da guerra de palavras que o inquilino da Casa Branca tem travado com a imprensa norte-americana, o que tem gerado muitas críticas por criar um clima de hostilidade com os jornalistas. No caso do The Washignton Post, Trump inclui mesmo o nome da Amazon, por Jeff Bezos, criador desta multinacional, ser também o proprietário do jornal, através da Nash Holdings, criada em 2013 para comprar o Post.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.