Trump classifica China e Rússia como "potências rivais" dos EUA

Casa Branca deixou de considerar as alterações climáticas uma ameaça à segurança nacional, ao contrário do feito por Obama

Donald Trump declarou China e Rússia como "potências rivais" que procuram desafiar o poder dos Estados Unidos e minar a segurança e prosperidade do país, de acordo com a Estratégia de Segurança Nacional de 2017 apresentada ontem pelo presidente norte-americano. Mas defende que os EUA devem tentar construir "uma grande parceria com eles", prosseguiu, usando uma linguagem menos dura da que consta do documento.

"Eles estão determinados a tornar as economias menos livres e menos justas, a aumentar o seu poder militar e a controlar informações e dados para reprimir suas sociedades e expandir sua influência", referem excertos do documento divulgados pela Casa Branca.

A posição de Trump agora apresentada nesta Estratégia de Defesa Nacional reflete as prioridades do seu programa "América Primeiro" de proteger o território e as fronteiras dos EUA, reformular as Forças Armadas, passar uma imagem de força no exterior e levar a cabo políticas comerciais mais favoráveis ao país. "O otimismo aumentou. A confiança voltou. Com esta nova confiança estamos também a recuperar a clareza de pensamento. Estamos a reafirmar estas verdades fundamentais: uma nação sem fronteiras não é uma nação. Uma nação que não protege a sua prosperidade interna não pode proteger os seus interesses no exterior", disse Trump na apresentação da sua Estratégia de Defesa Nacional. "Uma nação que não está preparada para ganhar uma guerra é uma nação capaz de evitar uma guerra", disse ainda o presidente norte-americano.

A classificação de China e Rússia como "potências revisionistas" reflete a desconfiança da Casa Branca em relação a estes dois países, apesar das tentativas de Trump em construir fortes relações com o presidente chinês, Xi Jinping, e o seu homólogo russo, Vladimir Putin. De acordo com um conselheiro da Casa Branca, Moscovo e Pequim estão a tentar mudar o status quo mundial - o primeiro na Europa com as incursões na Ucrânia e Geórgia, o segundo na Ásia com as agressões no Mar da China do Sul.

A Estratégia de Segurança Nacional defende ainda que a competição com China e Rússia exige que Washington repense as suas políticas com base no pressuposto de que o envolvimento com rivais e incluí-las em instituições internacionais "os transformaria em atores benignos e parceiros confiáveis". "Em grande parte, esta premissa revelou-se falsa", diz o documento.

Quanto à Rússia, é dito que Moscovo interfere na política interna de vários países "através de formas modernas de táticas subversivas". "A Rússia usa operações de informação como parte dos seus esforços ofensivos cibernéticos para influenciar a opinião pública mundo fora. As suas campanhas de influência combinam operações secretas de inteligência e falsos perfis online com medias financiados pelo Estado, intermediários e utilizadores de redes sociais pagos ou trolls", prossegue a estratégia da Casa Branca. Mas sem mencionar a interferência russa nas presidenciais de 2016.

A estratégia da Casa Branca também menciona a Coreia do Norte, o Irão e grupos islamitas como ameaças aos interesses dos EUA, sublinhando que Pyongyang procura iniciar uma guerra biológica. "À medida que os mísseis crescem em número, tipos e eficácia, para incluir aqueles com maior alcance, eles são os meios mais prováveis para países como a Coreia do Norte usar uma arma nuclear contra os Estados Unidos. A Coreia do Norte está atrás de armas químicas e biológicas que também podem ser espalhadas por míssil", descreve o documento.

Sem surpresa, tendo em conta que Trump abandonou o Acordo de Paris, as alterações climáticas deixaram de ser tidas como uma ameaça à segurança dos EUA, o que representa mais um ponto de rotura com a política de Barack Obama, que as havia mencionado na sua Estratégia de Segurança Nacional em 2016.

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