Trump até queria um shutdown. Senado estraga-lhe os planos

Republicanos e democratas têm um acordo orçamental a dois anos. Presidente apoia o projeto, mas há dúvidas entre os congressistas

O Senado dos Estados Unidos chegou ontem a um entendimento para um acordo orçamental de dois anos no valor de cerca de 300 mil milhões de dólares (cerca de 244 mil milhões de euros) que vai aumentar o limite da despesa militar, bem como dos gastos do governo federal. A este valor somam-se ainda 80 milhões para desastres naturais. Este acordo entre republicanos e democratas deverá evitar um novo shutdown, que poderá começar à meia-noite de hoje (madrugada de sexta-feira em Lisboa). Tudo depende da aprovação do projeto de lei na Câmara dos Representantes.

"Este projeto de lei é o produto de extensas negociações entre os líderes do Congresso e a Casa Branca", disse ontem o republicano Mitch McConnell, líder da maioria no Senado. "Trabalhamos muito para encontrar terreno comum e nos mantermos focados em servir o povo americano". Já Chuck Schumer, o líder dos democratas no Senado, defendeu que este acordo vai pôr fim ao ciclo de lutas partidárias sobre a despesa do governo. "O acordo orçamental não tem tudo o que os democratas querem. Não tem tudo o que os republicanos querem. Mas é um bom acordo sobre o que os americanos querem".

Na terça-feira, Donald Trump tinha dito que apoiava um shutdown do governo se os democratas não aceitassem o endurecimento das leis de imigração. Afirmação que não foi bem recebida, mesmo entre os republicanos. "Se não a mudarmos, vamos ter um shutdown", disse então o presidente norte-americano sobre as leis de imigração dos EUA. "Teremos um shutdown e valerá a pena para o nosso país. Adorava ver um shutdown se não tratarmos destas coisas".

E a defesa de Trump por uma paralisação continuou: "Se tivermos de o paralisar porque os democratas não querem segurança, e sem ter nada a ver mas mesmo assim relacionado, eles não querem tomar conta dos nossos militares, então fechem-no. Vamos a outro shutdown". O governo dos EUA esteve paralisado por três dias (começou a 20 de janeiro, data do primeiro aniversário da presidência Trump), até se chegar a um acordo bipartidário do Senado, que está em vigor até esta quinta-feira.

Ontem, porém, tudo indicava que o presidente aprova este novo projeto de lei. "Não vou dizer que o apoia todo", declarou o diretor legislativo da Casa Branca, Marc Short. A porta-voz Sarah Huckabee Sanders também disse que o acordo alcançou a "nossa principal prioridade" com o impulso na defesa.

Mas se no Senado e na Casa Branca as coisas parecem estar resolvidas, na Câmara dos Representantes o cenário não é tão linear, pois os congressistas democratas - através da sua líder, Nancy Pelosi - já avisaram que só apoiarão este projeto se o presidente deste órgão, o republicano Paul Ryan, prometer avançar com uma legislação à parte sobre imigração. "Sem um compromisso do speaker Ryan comparável ao compromisso do líder McConnell este pacote não terá o meu apoio", garantiu Pelosi.

McConnell prometeu debater as várias propostas relativas aos dreamers (imigrantes ilegais levados para os EUA quando eram crianças) ainda este mês, desde que o governo não entre em shutdown. Ryan disse que apresentará a Trump um acordo sobre os dreamers se tiver a garantia que este o assinará.

Do lado da maioria também há discordância - um grupo de republicanos de extrema-direita conservadora (do Freedom Caucus) também rejeita o acordo, mas admite que a proposta pode passar devido aos aumentos da despesa.

Sobre as objeções de Pelosi, a porta-voz da Casa Branca disse que a congressista democrata deveria tratar o orçamento e a imigração como assuntos separados. "Acho que deixámos claro que o acordo orçamental deve ser um acordo orçamental e que os membros do Congresso, como Nancy Pelosi, não devem fazer dos nossos militares reféns por causa de um tema diferente", declarou Sanders.

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