Trump ataca Robert Mueller no dia de revelações sobre caso russo

O procurador especial dos EUA Robert Mueller deve revelar esta sexta-feira mais pormenores sobre a investigação às alegadas interferências russas nas eleições presidenciais de 2016, sob cerrado ataque do Presidente Donald Trump.

Desde as primeiras horas da manhã, Donald Trump não deu descanso à sua conta na rede social Twitter com violentos ataques ao procurador especial que investiga alegadas interferências do governo russo nas eleições presidenciais de 2016, questionando os "numerosos conflitos de interesse" de Robert Mueller.

Os ataques de Trump acontecem no dia em que Mueller deve entregar memorandos sobre os resultados da cooperação de dois colaboradores próximos de Trump: Michael Cohen e Paul Manafort.

Estes dois assessores do Presidente dos EUA fizeram confissões de culpa, admitindo que mentiram na fase inicial do inquérito, esperando hoje as recomendações de sentença que Robert Mueller terá de entregar a um tribunal federal.

"Robert Mueller e o mentiroso James Comey são melhores amigos, apenas um dos conflitos de interesse de Mueller", escreveu Trump no Twitter, referindo-se às ligações entre o procurador especial e o ex-diretor do FBI, que foi demitido do cargo por Donald Trump, em 09 de maio de 2017, por críticas ao seu comportamento na investigação ao caso russo.

Minutos depois, Trump voltou à carga, dizendo que era falso que o seu advogado, Rudy Giuliani, não iria responder aos memorandos de Mueller.

"'Fake news', a resposta já tem 87 páginas escritas, mas naturalmente apenas ficará pronto quando virmos o final da caça às bruxas", escreveu Trump.

Aquilo a que Donald Trump chama de "caça às bruxas" é a investigação ao caso russo, cujos pormenores vão sendo conhecidos à medida que Robert Mueller apresenta memorandos sobre os inquéritos que decorrem, alguns deles envolvendo cinco pessoas que foram muito próximas do Presidente dos EUA.

Esta semana, Mueller já tinha revelado dados sobre a colaboração de Michael Flynn, antigo assessor de segurança nacional, que durou apenas 24 dias no cargo, até ser afastado por Donald Trump.

Agora é a vez de dois memorandos, separados, sobre as informações prestadas por Cohen e Manafort, que também já fizeram confissões de culpa que os podem levar à prisão por vários anos.

Trump disse esta semana que não está fora de questão um perdão presidencial a Manafort e acusou Cohen de estar a mentir para reduzir a sua pena.

Michael Cohen já se declarou culpado de oito acusações criminais, incluindo evasão fiscal e violação de regras de financiamento da campanha de Trump, que ele dirigiu.

Na passada semana, Cohen acrescentou outra confissão, dizendo que mentiu ao Congresso sobre os negócios de Trump na Rússia.

Paul Manafort confessou crimes de conspiração contra os EUA e obstrução de justiça.

Em novembro, o gabinete do procurador especial revelou que Manafort tinha mentido durante as investigações ao caso russo, sem revelar pormenores sobre as falsidades apresentadas.

Novas nomeações

O jurista William Barr, que já tinha sido procurador-geral no executivo de George H.W. Bush, esta semana falecido, é o novo procurador-geral dos EUA, na administração de Donald Trump.

"Desde o início que estava no topo da minha lista", explicou Trump, para justificar a sua escolha para ocupar o lugar até agora de Jeff Sessions, que foi afastado pelo Presidente, no passado mês, que o criticou por tentar promover a investigação às alegadas interferências russas nas eleições presidenciais de 2016.

Donald Trump escolheu ainda hoje Heather Nauert para o lugar de embaixadora dos EUA nas Organização das Nações Unidas, para substituir Nikki Haley, que pediu a sua resignação.

Nauert foi jornalista e apresentadora na estação televisiva Fox, antes de aceitar ser porta-voz da diplomacia americana na Casa Branca.

"Heather é uma mulher muito talentosa e muito inteligente", classificou Donald Trump.

As nomeações acontecem no dia em que o procurador especial deverá apresentar novos pormenores sobre o caso russo, em memorandos sobre os inquéritos realizados a dois antigos assessores de Trump, Michael Cohen e Paul Manafort.

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