Há "23 dos 28" aliados da NATO que "não pagam o que devem"

O presidente norte-americano, Donald Trump, apontou hoje o dedo aos "23 dos 28" países membros da NATO que não cumprem as suas "obrigações financeiras" e advertiu que 2% do PIB "é o mínimo" exigível para reforçar a defesa coletiva.

Na sua estreia em reuniões da NATO, e naquela que é a sua única intervenção pública durante a deslocação a Bruxelas, Trump, que discursava por ocasião da inauguração de um monumento evocativo dos ataques de 11 de setembro, foi particularmente crítico em relação aos Aliados que, na sua opinião, "não estão a pagar o que deveriam" - a grande maioria, entre os quais Portugal -, sobrecarregando assim os Estados Unidos.

"Tenho sido muito, muito direto com o secretário-geral (Jens) Stoltenberg e com os membros da Aliança ao dizer que os membros da Aliança têm finalmente que contribuir com a sua quota-parte justa e cumprir as suas obrigações financeiras. Mas 23 das 28 dos países membros ainda não estão a pagar o que deveriam estar a pagar e o que é suposto estarem a pagar para a sua Defesa. Isto não é justo para as pessoas e contribuintes dos Estados Unidos, e algumas destas nações devem massivas quantidades de dinheiro dos últimos anos", afirmou.

Trump referia-se ao compromisso, assumido na cimeira da NATO no País de Gales, em 2014, de, no espaço de uma década, todos os aliados destinarem 2% do respetivo Produto Interno Bruto (PIB) a despesas militares.

De acordo com os dados do relatório de 2016 da Aliança Atlântica, publicado em 13 de março último, no ano passado apenas cinco aliados atingiram ou ultrapassaram o objetivo acordado, designadamente Estados Unidos (3,61%), Grécia (2,36%), Estónia (2,18%), Reino Unido (2,17%) e Polónia (2,01%).

Portugal surge na 12.ª posição entre os 28 Estados-membros, ao ter consagrado 1,38% do PIB a despesas na área da defesa, o que significa um aumento face a 2015 (1,32%) e a 2014 (1,31%), mas aquém dos valores registados entre 2009 (1,53%) e 2013 (1,44%)

Na sua intervenção perante os restantes 27 chefes de Estado e de Governo da Aliança, Trump insistiu que, "nos últimos oito anos, os Estados Unidos gastaram mais em defesa do que todos os outros países da NATO combinados".

"Temos que reconhecer que com estes pagamentos insuficientes crónicos e ameaças crescentes, mesmo 2% (do PIB) é insuficiente para colmatar as lacunas a nível de modernização, prontidão e dimensão das forças (da NATO)", apontou.

Temos que compensar os muitos anos perdidos, e 2% é o mínimo dos mínimos para confrontar as ameaças muito reais e muito viciosos de hoje

A concluir, o presidente norte-americano sustentou que, "se os países da NATO derem o seu contributo, a NATO será ainda mais forte do que é hoje, especialmente face à ameaça do terrorismo".

À chegada à nova sede da NATO, Stoltenberg afirmou que os Aliados vão acordar na cimeira de hoje, em Bruxelas, planos nacionais que detalhem de que modo vão cumprir os compromissos assumidos a nível de partilha de encargos no seio da Aliança.

Stoltenberg insistiu que "todos As aliados têm que implementar o que todos acordaram em 2014", quando os membros da NATO acordaram "travar os cortes (na Defesa), aumentar gradualmente as despesas, e chegar aos 2% do PIB no espaço de uma década", até 2024.

Na semana passada, por ocasião de uma reunião em Bruxelas, o ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes, disse que Portugal esperava que não houvesse na cimeira de hoje "demasiada insistência" na questão orçamental, no quadro da partilha de encargos entre os membros da Aliança Atlântica, e que seja feita igualmente uma "avaliação qualitativa" dos esforços e contributos do país.

"Temos a certeza de que vamos convencer os nossos aliados de que Portugal cumpre essencialmente as suas obrigações e também demonstrarmos que uma avaliação qualitativa do nosso esforço é de elementar justiça, além das (avaliações) métricas e do reforço do investimento, que nós, aliás, temos mais ou menos como adquirido que pode ter que ser reforçado", afirmou.

Portugal está representado na cimeira da NATO pelo primeiro-ministro, António Costa, que se faz acompanhar pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e da Defesa, Azeredo Lopes.

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