Trump ameaça Rússia: "Mísseis estão a chegar" à Síria

"Não deviam ser parceiros com um animal que mata o seu povo e gosta", avisa Trump

Donald Trump avisou esta quarta-feira a Rússia que os mísseis "estão para chegar" à Síria, na sequência do alegado ataque químico que aconteceu na cidade de Douma. O Presidente dos EUA criticou ainda os russos por estarem do lado do regime de Bashar al-Assad.

"A Rússia prometeu destruir todo e qualquer míssil disparado para a Síria. Preparem-se, porque os mísseis estão a chegar. Bons, novos e 'espertos'. Não deviam ser parceiros com um animal que mata o seu povo e gosta", escreveu Trump no Twitter, depois de o embaixador russo no Líbano, Alexander Zasipkin, ter dito que quaisquer mísseis lançados por Washington contra a Síria serão abatidos pelas forças de Moscovo e que as plataformas de lançamento passarão a ser um alvo.

Moscovo advertiu, esta quarta-feira, contra qualquer ação na Síria que possa "desestabilizar a situação já frágil na região".

"Esperamos que todas as partes evitem qualquer ação que não seria justificada e que poderia desestabilizar a situação, já frágil, na região", disse o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, à imprensa.

Em declarações aos jornalistas, o chefe de Estado norte-americano referiu ainda na mesma ocasião que não existiam opções fora da mesa.

Já na terça-feira, os Estados Unidos, apoiados por aliados como França e o Reino Unido, admitiram uma resposta militar para eliminar a ameaça de ataques químicos pelas forças do regime de Bashar al-Assad.

E Trump anunciou o cancelamento da sua deslocação à Cimeira das Américas, no Peru, e à Colômbia para "supervisionar a resposta norte-americana em relação à Síria" e acompanhar os acontecimentos internacionais.

A Síria nega qualquer utilização de armas químicas, assim como a Rússia, principal aliado do regime sírio, que afirmou que eventuais ataques ocidentais teriam "graves consequências".

A Eurocontrol, organização europeia de segurança na navegação aérea, divulgou inclusivamente uma "advertência rápida" às companhias aéreas do leste do Mediterrâneo contra possíveis ataques aéreos contra a Síria com mísseis nas próximas 72 horas.

"Devido ao possível lançamento de ataques aéreos na Síria com mísseis ar-terra e/ou de cruzeiro, nas próximas 72 horas, e a possibilidade de interrupção intermitente de equipamentos de radionavegação, este aviso deve ser levado em conta ao planear operações de voo na área do Mediterrâneo Oriental-Nicósia", divulgou a organização europeia, no seu sítio na internet.

Na segunda-feira, Donald Trump, prometeu "responder abruptamente" ao alegado ataque químico na cidade síria de Douma, perto de Damasco, que causou dezenas de mortes e centenas de feridos, de acordo com várias organizações não-governamentais (ONG) no terreno. Prometeu então que algo aconteceria entre 24 e 48 horas.

Mais de 40 pessoas morreram - outras fontes falam em 70 vítimas - , no sábado, num ataque contra a cidade rebelde de Douma, que segundo organizações não-governamentais no terreno foi realizado com armas químicas.

A oposição síria e vários países acusaram o regime de Bashar al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco negou e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que peritos russos que se deslocaram ao local não encontraram "nenhum vestígio" de substâncias químicas.

Na terça-feira à noite, o Conselho de Segurança da ONU rejeitou um projeto de resolução da Rússia para criar um novo mecanismo de investigação sobre o uso de armas químicas na Síria.

A Síria, que entrou no oitavo ano de guerra, vive um drama humanitário perante um conflito que já fez pelo menos 511 mil mortos, incluindo 350 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

500 pessoas com "sinais de exposição a químicos". OMS quer entrar em Douma

A Organização Mundial da Saúde (OMS) exigiu esta quarta-feira "acesso livre" a Douma, nos arredores de Damasco (Síria), para confirmar os relatos de que cerca de 500 pessoas foram afetadas por um ataque químico no local, no sábado, e prestar assistência médica. O Governo sírio nega o uso de armas químicas.

A agência disse que recebeu informações de que centenas apresentaram sintomas consistentes com exposição a produtos químicos tóxicos, como dificuldade para respirar, irritação das membranas mucosas e falha do sistema nervoso central.

"Duas instalações de saúde também foram supostamente afetadas por esses ataques", lê-se na declaração da OMS, citada pela BBC.

Aviso da Eurocontrol sobre a Síria não terá influência nas operações da TAP

O aviso lançado pela Eurocontrol para as companhias áreas que voam na área do Mediterrâneo Oriental-Nicósia não terá qualquer efeito nas operações da TAP pois a companhia não sobrevoa esta zona, disse fonte da empresa.

A mesma fonte indicou que a TAP Air Portugal não sobrevoa esta área nas suas rotas nem tem destinos na área em questão.

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