Trump "adoraria falar" com Mueller na investigação sobre a Rússia

Chefe de Estado norte-americano colocou uma condição à sua disponibilidade.

O Presidente norte-americano disse hoje que "adoraria falar" com o procurador especial Robert Mueller, encarregado de investigar a eventual ingerência russa nas eleições presidenciais, mas para tal acontecer exige ser tratado de forma justa.

"Adoraria falar (...) Não há nada que eu mais queira. Adoraria falar porque não fizemos nada de errado", afirmou Donald Trump, em declarações aos jornalistas em South Lawn, um dos parques da Casa Branca, antes de partir para Dallas, no Estado norte-americano do Texas, onde vai intervir hoje na convenção anual da Associação Nacional de Armas (NRA, na sigla em inglês).

Mas o chefe de Estado norte-americano colocou uma condição à sua disponibilidade.

"Preciso de saber se vamos ser tratados de forma justa, porque neste momento é uma pura caça às bruxas", frisou.

Estas declarações de Trump surgem numa altura em que está a ser aconselhado juridicamente pelo antigo presidente da câmara ('mayor') de Nova Iorque Rudy Giuliani.

O ex-'mayor' juntou-se recentemente à equipa de advogados que representa o Presidente norte-americano no processo liderado por Mueller sobre eventuais ligações entre a Rússia e a campanha de Trump para as presidenciais norte-americanas de 2016.

Giuliani advertiu Trump sobre as consequências de uma possível reunião com Mueller e sugeriu que o Presidente norte-americano precisa de estabelecer limites em relação ao seu nível de cooperação.

No início desta semana, o diário norte-americano The New York Times revelou as cerca de 50 perguntas que Robert Mueller gostaria de colocar a Trump sobre as alegadas ligações da sua equipa aos russos.

Em outra notícia avançada pelo jornal The Washington Post, o procurador especial terá equacionado, no início do mês de março, a hipótese de intimar Trump a depor. Segundo revelou o mesmo jornal, a possibilidade foi levantada durante uma reunião com a equipa de advogados do Presidente.

A vontade de Trump de afastar Mueller também tem sido regularmente noticiada pelos 'media' norte-americanos.

Na quarta-feira foi divulgado que o chefe de Estado norte-americano contratou um advogado que representou o ex-Presidente Bill Clinton no processo de destituição (também conhecido como processo de 'impeachment') em 1998, com o objetivo de ser "mais agressivo" na sua resposta à investigação de Robert Mueller.

Ainda nas declarações aos jornalistas ao sair da Casa Branca, Trump falou sobre Rudy Giuliani e colocou publicamente o ex-'mayor' numa posição delicada, segundo os 'media' norte-americanos.

Esta semana, numa entrevista à estação de televisão Fox News, Rudy Giuliani disse que Trump sabia do pagamento efetuado pelo advogado Michael Cohen à atriz de filmes pornográficos Stormy Daniels no âmbito de um acordo de confidencialidade e que teria posteriormente reembolsado o advogado.

Segundo Trump, Rudy Giuliani irá esclarecer os factos que transmitiu, sugerindo que o ex-'mayor' expressou-se de forma pouco precisa.

"É um grande tipo mas começou há um dia", disse o governante, afirmando que o seu mais recente conselheiro jurídico está "a começar a inteirar-se do assunto".

E acrescentou, sem dar mais pormenores, que "praticamente tudo" relatado até ao momento sobre os pagamentos tem estado errado.

"Tem existido muita desinformação (...) Aprenda antes de falar. É muito mais fácil", disse ainda Trump, que nega ter tido um caso sexual com a atriz de filmes pornográficos.

Stormy Daniels, que alega ter tido relações sexuais com Trump em 2006, decidiu avançar, em finais de abril, com um processo por difamação contra o Presidente norte-americano.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.