Trump admite que reembolsou advogado de pagamento para calar Stormy Daniels

O Presidente dos Estados Unidos assumiu ter pagado a Michael Cohen o dinheiro que este deu à atriz porno Stormy Daniels para comprar o seu silêncio, em 2017

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu, num relatório das suas finanças, que reembolsou o seu advogado pessoal, Michael Cohen, de um pagamento feito por este à atriz porno Stormy Daniels.

Segundo o documento, divulgado esta quarta-feira pelo Gabinete de Ética do Governo (OGE), em 2017 Trump "reembolsou por completo" um pagamento de entre 100.001 e 250.000 dólares realizado por Cohen em 2016, ano em que o advogado pagou a Daniels 130.000 dólares em troca do seu silêncio sobre uma relação que mantivera com o magnata nova-iorquino do imobiliário.

O relatório não precisa nem as razões nem o montante específico da devolução de Trump, que ocorreu em 2017, mas refere que o Presidente fez o pagamento depois de Cohen o ter reclamado.

O chefe de Estado norte-americano sublinhou que não era necessário revelar a quantia no relatório sob a classificação de "dívida", mas que o fazia agora "em nome da transparência", segundo uma nota de rodapé do documento, que foi registado na terça-feira e hoje divulgado.

No entanto, a direção do OGE, que hoje publicou o texto, indicou que o organismo tinha "concluído que o pagamento realizado pelo senhor Cohen devia ter sido classificado como dívida" no relatório do ano anterior, segundo um documento enviado ao procurador-geral-adjunto, Rod Rosenstein.

A direção da instituição fez referência a uma queixa que argumentava que Trump tinha de ter incluído como dívida o pagamento de Cohen no seu relatório financeiro do ano fiscal anterior, datado de 14 de junho de 2017, o que não fez.

"O OGE concluiu que o pagamento feito pelo senhor Cohen devia ser considerado uma dívida. O OGE determina que a informação dada na nota cumpre (agora) os requisitos de uma dívida que deve ser declarada, nos termos da Lei de Ética do Governo", explicou na carta o diretor em exercício do organismo, David Apol.

O responsável acrescentou também que enviava o documento a Rosenstein por "poder ser relevante para qualquer investigação que estivesse a realizar sobre o relatório anterior do Presidente, datado de 14 de junho de 2017".

Na edição de 2017 deste relatório financeiro anual, Trump não comunicou o pagamento a Cohen.

Esta notícia surge dias depois de Trump ter admitido que foi ele quem financiou o pagamento de 130.000 dólares que o seu advogado pessoal fez à atriz porno Stormy Daniels pouco antes das eleições presidenciais de novembro de 2016, de que saiu vencedor, e sublinhou que foi legal porque "não teve nada que ver com a campanha".

As declarações do multimilionário representam uma viragem em relação ao que até agora tinha dito, já que previamente negara ter conhecimento de tal pagamento, e foram precipitadas pelo seu novo advogado, o ex-'mayor' de Nova Iorque Rudy Giuliani, que admitiu publicamente o reembolso.

O facto de o pagamento ter ocorrido imediatamente antes das eleições provocou grande polémica, afirmando grupos como a Common Cause que tal dinheiro se destinava a melhorar a imagem de Trump como candidato e, portanto, foi um donativo de campanha não-declarado, o que viola as leis de financiamento eleitoral.

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