Trump acusa FBI e Departamento de Justiça de favorecerem Democratas

Presidente norte-americano usou a rede social Twitter para fazer as acusações

O Presidente norte-americano acusou hoje o FBI e o Departamento da Justiça - que investigam o alegado conluio entre o governo russo e elementos que lhe são próximos - de fazerem política "a favor dos Democratas e contra os Republicanos".

"A máxima liderança e os investigadores do FBI e do Departamento de Justiça politizaram o sagrado processo de investigação em favor dos Democratas e contra os Republicanos - algo que seria impensável há pouco tempo atrás. As bases são ótimas pessoas!", escreveu hoje Donald Trump num dos seus habituais tweets matinais.

A mensagem de Trump surge um dia depois de a líder democrata da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, ter exigido à maioria republicana na câmara que retire ao congressista lusodescendente Devin Nunes a presidência da Comissão de Informações, por ter modificado um relatório sobre a Rússia.

Pelosi pediu por carta ao presidente da Câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos, Paul Ryan, que afaste Nunes da Comissão que supervisiona os serviços secretos, de espionagem e de informações, agências encarregadas da segurança nacional dos Estados Unidos.

Na noite de quarta-feira ficou a saber-se que Nunes alterou o conteúdo de um memorando elaborado pelo Partido Republicano depois de ter sido autorizada a sua publicação.

O representante Adam Schiff, o democrata de maior patente na Comissão de Informações, garantiu - através do Twitter - que Nunes partilhou com o Presidente Donald Trump uma versão "secretamente alterada" do memorando republicano sobre abusos de poder do Departamento de Justiça, relacionados com vigilância executada na investigação à alegada ingerência russa nas eleições.

Schiff acusou Nunes de ter feito alterações "substanciais" ao texto confidencial, antes de partilhá-lo com o advogado da Casa Branca para publicação.

Essas alterações, alega Schiff, não foram aprovados por toda a Comissão, tal como indicam as regras protocolares.

Hoje, os responsáveis da Casa Branca indicaram que Trump vai permitir a publicação do memorando secreto preparado pelos Republicanos, e que acusa o FBI de táticas abusivas de vigilância na investigação sobre a Rússia.

Tanto o Departamento de Justiça como o FBI (serviços secretos internos dos EUA) advertiram para o perigo de uma eventual publicação do memorando de Nunes, manifestando grande preocupação sobre a exatidão do mesmo e sobre a possível deturpação de informação classificada.

A Comissão de Informações da Câmara dos Representantes votou favoravelmente, esta semana, a publicação do relatório elaborado pelos republicanos sobre as provas recolhidas durante a investigação, mas votou contra a publicação da versão democrata do mesmo.

A falta de imparcialidade - por se tratar de um documento partidário - aliada às alegadas alterações por parte de Nunes, colocam em dúvida a veracidade do texto, o que poderia dificultar as investigações do Procurador Especial para o caso, Robert Mueller.

Trump, que terá a palavra final sobre se o relatório é publicado ou não, manifestou-se recentemente "100% a favor" de publicar o relatório, apesar dos apelos contrários feitos pelo Departamento de Justiça e pelo FBI.

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Adriano Moreira

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A Carta das Nações Unidas estabelece uma distinção entre a força do poder e o poder da palavra, em que o primeiro tem visibilidade na organização e competências do Conselho de Segurança, que toma decisões obrigatórias, e o segundo na Assembleia Geral que sobretudo vota orientações. Tem acontecido, e ganhou visibilidade no ano findo, que o secretário-geral, como mais alto funcionário da ONU e intervenções nas reuniões de todos os Conselhos, é muitas vezes a única voz que exprime o pensamento da organização sobre as questões mundiais, a chamar as atenções dos jovens e organizações internacionais, públicas e privadas, para a necessidade de fortalecer ou impedir a debilidade das intervenções sustentadoras dos objetivos da ONU.