Trident Juncture. Os números do mega exercício militar

O exercício Trident Juncture 18, que terá lugar até 7 de novembro na Noruega, tem como objetivo treinar a Aliança Atlântica para socorrer um dos seus membros, tal como previsto no artigo 5.º do tratado.

É o maior exercício militar da NATO em muitos anos. Estão no mar, em terra e no ar cerca de 50 mil militares de 31 países, que têm ao dispor 250 aeronaves, 65 navios - entre os quais o porta-aviões Harry Truman - e 10 mil veículos.

Se os veículos estivessem em fila iriam ocupar 92 quilómetros, segundo uma estimativa do exército norueguês.

Ao pormenor, estão em manobras mais de 20 mil homens da infantaria, 24 mil marinheiros e fuzileiros navais, 3.500 aviadores, 1.300 pessoas do Estado-Maior e outras mil na logística.

Os maiores contingentes são dos EUA, Alemanha, Noruega, Reino Unido e Suécia.

35 mil camas

No que respeita à logística, os noruegueses prepararam 35 mil camas, e esperam distribuir 1,8 milhões de refeições e 4,6 milhões de garrafas de água. Em lavandaria, a conta da roupa faz-se em toneladas: 676.

Ao DN, Jason Bohm, chefe do Estado-Maior do Comando de Apoio e Projeção de Forças NATO (STRIKFORNATO) lembrou que havia quem afirmasse ser "o maior exercício da NATO desde 1983. Houve um exercício com forças semelhantes em 2002". Quando o brigadeiro-general norte-americano fez este comentário, a bordo do USS Mount Whitney, em Lisboa, os números da operação ainda não tinham sido revistos em alta.

Arranca hoje a primeira fase de treinos, denominada fase de integração da força e de aperfeiçoamento de combate. "É quando os navios, as aeronaves e os fuzileiros começam a alinhar procedimentos e técnicas, para mais tarde começarem a responder como força comandada aos desafios táticos impostos pelos postos de comando marítimos", esclarece a tenente Elisabete Almeida, a bordo do USS Mount Whitney.

É nesse navio que a STRIKFORNATO tem a seu cargo o comando de 20 navios e 16 mil militares. A STRIKFORNATO será um dos dois comandos marítimos com a única responsabilidade de comandar forças navais e anfíbias dos EUA.

Irritação russa

A Noruega ofereceu-se para receber o Trident Juncture, que inicia hoje. A Rússia não escondeu a irritação. "Os principais países da NATO estão a aumentar a sua presença militar na região, perto das fronteiras da Rússia", disse a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova. "Tais ações irresponsáveis inevitavelmente conduzirão à desestabilização da situação política e militar no norte, e a um aumento das tensões", pelo que prometeu "medidas de retaliação".

A proximidade é relativa: de acordo com o general norueguês Rune Jakobsen, as operações terrestres ficam a mil quilómetros da fronteira russa e as aéreas a 500 quilómetros.

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