Tribunal russo tira filhos adotivos a mulher acusada de ser transexual

Uma fotografia das crianças que foram retiradas à família

Julia Savinovskikh submeteu-se a cirurgia para retirar as mamas mas diz que não quer ser um homem. Tribunal tirou-lhe crianças que viviam com ela e com o marido há vários anos

O tribunal de Yekaterimburgo, na Rússia, decidiu que devem ficar à guarda dos serviços sociais duas crianças que estavam à guarda de Julia Savinovskikh, uma mulher que se submeteu a uma cirurgia para remoção das duas mamas. A justiça alega que Yulia se identifica com um homem, que é casada com um homem e que removeu as mamas para tentar adotar um "papel masculino na sociedade", estando por isso inapta para cuidar dos dois rapazes, que são deficientes intelectuais.

Um tribunal superior tinha pedido aos juízes de Yekaterimburgo que revissem a decisão, mas a sentença foi a mesma: Julia Savinovskikh contradiz "as tradições e a mentalidade da nossa sociedade", reza a sentença, citada pela BBC. O advogado da mulher diz estar preparado para recorrer e levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos se necessário.

Os dois rapazes que viviam com Julia e o marido foram-lhes retirados no passado mês de agosto, estando desde essa altura a viver num orfanato. As autoridades acusam ainda a mulher de, antes da cirurgia, escrever um blog onde se identificava como uma pessoa do sexo masculino. Nas redes sociais, Julia defendeu-se dizendo que retirou as mamas por motivos de saúde e, reconhecendo que escrevia na internet como um homem, afirmou que nunca passou de ficção e que não tem planos para se submeter a uma mudança se sexo. "Os meus filhos chamam-me mãe", sublinhou.

Julia Savinovskikh e o marido têm ainda três filhos biológicos e o parceiro tem-na apoiado na batalha jurídica para recuperar os filhos adotivos, que viviam com o casal há vários anos, num país que mantém o preconceito em relação à comunidade gay e transexual.

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