Tribunal italiano abre caminho a eleições antecipadas

Parte da lei eleitoral foi considerada inconstitucional e todos os partidos pedem agora que haja eleições já este ano

O tribunal constitucional de Itália rejeitou parte da lei eleitoral, conhecida como Italicum, que previa a realização de uma segunda volta nas eleições legislativas, decidindo que estas devem ter lugar em apenas uma volta. Mas manteve a cláusula que garante automaticamente a maioria parlamentar a qualquer partido que consiga 40% dos votos (segundo as sondagens, nenhum chega a esse valor).

Com esta decisão, está aberto o caminho para antecipar as eleições (previstas apenas para 2018) já para este ano. Tudo porque com este sistema será praticamente obrigatório haver um governo de coligação, algo que beneficiará os partidos tradicionais e penalizará a principal formação de oposição, o Movimento 5 Estrelas, que sempre recusou formar alianças.

O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, que lidera o Partido Democrático e se demitiu do governo depois de perder o referendo constitucional (que entre outras coisas retirava poder ao Senado), já disse querer voltar às urnas este ano. Mas o partido está dividido: o primeiro-ministro, Paolo Gentiloni, defende a conclusão da atual legislatura.

Minutos depois do veredicto do tribunal ser conhecido, também o Movimento 5 Estrelas (liderado pelo ex-humorista Beppe Grillo) pediu a realização imediata de eleições, dizendo que o seu objetivo é conseguir ganhar 40% dos votos (conseguindo assim a maioria suficiente para governar sozinho).

Já Matteo Salvini, líder da Liga Norte, escreveu no Twitter que "não há mais desculpas" para não antecipar as eleições.

Mas o presidente italiano, Sergio Matarella, também já disse que a decisão do tribunal se refere apenas à eleição dos deputados e que é preciso uma nova lei para eleger os senadores antes de poder convocar os italianos às urnas.

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