Tribunal egípcio condena a prisão perpétua 42 manifestantes dos protestos de 2013

Em causa estão os distúrbios ocorridos em agosto de 2013 em redor da mesquita de Al Fateh, no Cairo, por 42 membros e simpatizantes da Irmandade Muçulmana

Um tribunal egípcio condenou esta segunda-feira a prisão perpétua 43 membros e simpatizantes da Irmandade Muçulmana por distúrbios ocorridos em 16 e 17 de agosto de 2013 em redor da mesquita de Al Fateh no Cairo.

Fonte judicial indicou à agência noticiosa Efe que os visados, 23 julgados à revelia, estavam acusados de assassinato premeditado, profanação da mesquita de Al Fateh, vandalismo e planificação de atentados terroristas.

Foram ainda acusados de participação em manifestação, destruição de propriedade pública e privada, incêndio de veículos e propriedades privadas, agressão a agentes policiais e posse de armas.

Neste julgamento, outras 17 pessoas foram condenadas a 15 anos de prisão, e outras 148 a penas de 10 anos, das quais 103 foram julgadas também à revelia.

Por último, outras 221 pessoas foram sentenciadas a cinco anos de prisão e 54 absolvidas, onde se incluía o jovem irlandês Ibrahim Halawa, que tinha 17 anos quando foi detido no Cairo quando estava de férias com as irmãs, e na prisão desde 2013.

A Amnistia Internacional (AI) denunciou um "julgamento em massa e profundamente injusto" dos cerca de 500 indicados e pediu que os condenados a diversas penas de prisão sejam julgados novamente "com base nos padrões internacionais" ou que sejam libertados.

Este caso está relacionado com os incidentes registados na sangrenta dispersão em 14 de agosto de 2013 de um protesto no Cairo de apoiantes do ex-presidente eleito Mohamed Morsi, que denunciavam o golpe de Estado militar de 03 de julho que depôs o dirigente pró-islamita e apoiado pela Irmandade Muçulmana.

Esta repressão, designada "massacre de Rabaa", terá provocado a morte de 817 civis, segundo a ONG de direitos humanos Human Rights Watch.

Os partidários de Morsi voltaram a convocar novo protesto dois dias depois, em 16 de agosto, e após uma noiva carga policial contra os manifestantes, centenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças, refugiaram-se na mesquita de Al Fateh.

No dia seguinte a polícia evacuou o recinto à força, e na sequência dos distúrbios que se prolongaram por dois dias foram mortas dezenas de pessoas e detidas centenas.

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