Tribunal britânico começa a analisar queixas relacionadas com "dieselgate"

Proprietários pedem um processo judicial coletivo

Um Tribunal britânico começou hoje a analisar as queixas de dezenas de milhares de proprietários de automóveis do grupo Volkswagen que se sentem lesados pelo caso "dieselgate" e pedem um processo judicial coletivo.

"Este escândalo foi revelado há mais de dois anos e os consumidores britânicos continuam à espera que a Volkswagen responda às queixas", explicou Gareth Pope do Slater and Gordon, o escritório de advogados que afirma representar mais de 40.000 queixosos envolvidas neste caso, citado pela AFP.

Cerca de 1,2 milhões de veículos da marca Volkswagen, Audi, Seat e Skoda foram envolvidos no Reino Unido ao escândalo do gigante alemão de um total de 11 milhões de automóveis em todo o mundo.

Estes veículos estavam equipados com um aparelho que minimizava o nível real das emissões de óxido de azoto (NOx) quando eram sujeitos aos controlos de poluição.

O Royal Courts of Justice em Londres vai analisar as queixas entregues pelo Slater and Gordon e outros escritórios de advogados e deverá decidir depois se a justiça permite uma ação coletiva. Se for o caso poderá então ser organizado um processo.

Além da questão das emissões poluentes propriamente ditas, o Slater and Gordon critica a Volkswagen por não ter reparado corretamente uma parte dos veículos envolvidos no caso, com base num inquérito feito aos queixosos dos quais 17.000 responderam.

Dos 17.000 inquiridos, 11.600 afirmam que os seus veículos foram reparados pela Volkswagen para corrigir a anomalia, mas 1.200 asseguram que posteriormente os seus automóveis sofreram pontualmente perdas de potência inopinadas.

O escritório refere o caso de uma professora cujo veículo desacelerou brutalmente para 16 quilómetros hora numa autoestrada.

Questionada pela AFP, a Volkswagen considerou que este inquérito não era fiável nem representativo.

"Nós adotamos corretivos em mais de 840.000 veículos no Reino Unido e mais de 6,4 milhões em toda a Europa e uma esmagadora maioria dos clientes ficaram satisfeitos", explicou um porta-voz do grupo alemão.

A Volkswagen considerou um processo para pedir uma indemnização "prematuro e infundado".

"Não pensamos que os nossos clientes britânicos tenham sofrido qualquer perda financeira associada à questão do NOx", adiantou um porta-voz do grupo alemão.

A Volkswagen constituiu provisões de mais de 22 mil milhões de euros para fazer face à chuva de multas e de pedidos por danos em todo o mundo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.