Tribunal autoriza aborto a menor contra ordens de Trump

Desde março que a administração Trump impede menores ilegais de procurarem ajuda junto de abrigos. Agora um tribunal federal permitiu que jovem de 17 anos abortasse

A juíza Tanya S. Chutkan decretou, esta quarta-feira, em Washington que a administração Trump tem de permitir o acesso ao aborto de uma jovem ilegal. Desde março que o governo dos EUA proíbe as menores ilegais de procurarem os abrigos públicos para abortarem. Segundo, o jornal Politico, a equipa de Donald Trump está a tentar travar ainda a decisão judicial.

O caso agora decidido é de uma jovem de 17 anos, que está grávida de cerca de 15 semanas, que obteve autorização judicial (como prevê a legislação do Texas) para abortar sem o consentimento dos pais, e angariou fundos para pagar o procedimento. Condições alcançadas desde setembro, quando chegou aos EUA.

Mas o departamento de saúde, responsável pelos cuidados de saúde dos menores ilegais, recusou autorizar a ida da jovem a várias consultas para a interrupção voluntária da gravidez. Em vez disso, enviaram-na a um centro de crise para grávidas, que aconselha as mulheres a não abortar e que avisou a mãe da jovem na América Central do seu estado.

Segundo a juíza - indicada para o cargo por Barack Obama -, o departamento de saúde teve um comportamento "inconstitucional". Ordenando que a menor deva ser atendida ainda esta quinta-feira e que a interrupção da gravidez seja marcada para sexta ou sábado.

A administração Trump defende que esta medida de impedir as menores ilegais de abortarem é uma forma de de "não incentivar as menores grávidas de entrar ilegalmente no país para abortar sob custódia federal".

Os procuradores-gerais do Texas, Arkansas, Louisiana, Michigan, Nebraska, Ohio, Oklahoma e Carolina do Sul defenderam a posição de Donald Trump.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.