Três grandes derrotados (além de Hillary, claro)

Obama fez campanha pela candidata democrata e foi ignorado, Ryan ostracizou Trump e agora tem de o aceitar como presidente e chefe dos republicano, Sanders obrigou Hillary a encostar-se à esquerda

BARACK OBAMA vai deixar a Casa Branca com uma bela taxa de popularidade (56%) mas o seu empenho na campanha de Hillary Clinton e as críticas ferozes a Donald Trump não impediram a derrota da candidata democrata, sua antiga secretária de Estado. Já se sabe que vai continuar em Washington depois de 20 de janeiro, dia em que entrega a Casa Branca a Trump, mas terá de fechar os olhos a muitas das políticas do novo presidente republicano, que quer desfazer o legado dos seus dois mandatos. Em risco está, se Trump for coerente com o que disse na campanha, o Obamacare.

PAUL RYAN cancelou a presença de Donald Trump num dos comícios para a reeleição para o Congresso e tudo fez para marcar distâncias da aposta presidencial republicana para este ano. Mas o candidato falhado a vice-presidente com MItt Romney em 2012 terá agora que agradar a Trump para poder manter o cargo de Speaker da Câmara dos Representantes. E se concretizou o sonho de "um governo unificado republicano", com o partido a dominar a Câmara, o Senado e a Casa Branca pela primeira vez desde 2006, espera-se uma relação tensa com o novo presidente a menos que faça um ato de contrição.

BERNIE SANDERS entrou nas primárias democratas e quase ganhou. Durante a Convenção partidária o autoproclamado senador socialista acabou por dar o apoio a Hillary Clinton, mas só depois desta ter concordado em integrar propostas suas no programa eleitoral. Uma viragem à esquerda que pode ter afastado democratas centristas, sem grande compensação por parte dos apoiantes de Sanders, pouco mobilizados para eleger a antiga primeira-dama para presidente.

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