Treino militar obrigatório da China alargado a estudantes de Macau

Universidade de Tsinghua, em Pequim, limitava programa de três semanas aos alunos oriundos do continente chinês.

Os alunos de Macau e Hong Kong que entrem para a Universidade de Tsinghua passam a ter de cumprir o treino militar obrigatório que até agora só vinculava os estudantes oriundos do continente chinês.

Segundo o jornal South China Morning Post, esse programa de três semanas no verão continuará a ser facultativo para os estudantes de Taiwan.

Tsinghua é a principal universidade chinesa e a quarta entre as da Ásia, na lista de 2018 das melhores universidades do mundo feita pela organização sem fins lucrativos norte-americana New Jersey Minority Educational Development .

Segundo o professor Lau Siu-kai, vice-presidente da Associação Chinesa de Estudos sobre Hong Kong e Macau, a medida adotada por aquela universidade explica-se com o objetivo de levar os jovens a terem maior sentido de responsabilidade e de patriotismo - o que é comum em muitos países, observou o académico, citado na edição de segunda-feira daquele jornal.

Segundo a lei chinesa, o treino militar é obrigatório para todos os alunos do ensino secundário e superior. No caso daquela universidade de Pequim. o programa ensina os alunos a marchar, a disparar e a praticar primeiros socorros.

As exceções que abrangiam os naturais de Macau e Hong Kong decorriam do princípio "um país, dois sistemas" aplicado àqueles antigos territórios administrados por Portugal e por Inglaterra, respetivamente.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)