Trabalhadoras domésticas exigem lei para regular atividade nos Estados Unidos

Há mais de dois milhões de americanos, a maior parte mulheres, com esta atividade.

Um grupo de trabalhadoras domésticas visitou na quarta-feira o Capitólio norte-americano para se reunir com vários congressistas e avançar para a criação da primeira Carta dos Direitos dos Trabalhadores Domésticos nos Estados Unidos.

Poucas semanas após a formação do novo Congresso, a Aliança Nacional dos Trabalhadores Domésticos (NDWA, na sigla inglesa) foi a Washington exigir direitos a nível nacional para este grupo com mais de dois milhões de pessoas, na grande maioria mulheres.

A senadora californiana do partido democrata Kamala Harris e a deputada Pramila Jayapal, da câmara baixa do Congresso, acompanharam as trabalhadoras e prometeram trabalhar para aprovar um projeto de lei que salvaguarde os seus direitos.

"Quando falamos sobre as vozes dos vulneráveis, não nos referimos a pessoas fracas. Estas mulheres são pessoas muito fortes que agora reivindicam os direitos e a dignidade que merecem", declarou Harris, citada pela agência noticiosa EFE.

Para a senadora, "não se pode imaginar a vida de muitas famílias sem a força e o trabalho" destas trabalhadoras.

Harris e Jaypal estão a promover a Carta Nacional dos Direitos dos Trabalhadores Domésticos, um projeto que esperam debater no Congresso durante este período legislativo.

"Agora temos a maioria e vamos avançar com esta legislação, não é uma aspiração democrática, é algo positivo para todos", disse, por sua vez, Jaypal.

Atualmente, apenas oito estados e uma cidade dos EUA incluem proteções legislativas para este grupo, que espera agora que representantes políticos a nível nacional aprovem uma regulamentação fixa e igualitária para todo o país.

A diretora executiva da NDWA, Ai-jen Poo, manifestou esperança de que esta iniciativa seja aprovada no novo Congresso.

"A procura por trabalho doméstico está a aumentar e os trabalhadores devem desenvolver esta atividade em condições dignas. Levamos isto a sério e temos de nos fazer ouvir", afirmou.

Ai-jen Poo acompanhou neste mês, à cerimónia dos prémios Globos de Ouro, o realizador mexicano Alfonso Cuarón, bem como toda a equipa cinematográfica de Roma, filme que acompanha a vida de uma família de classe média e da empregada doméstica interna.

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