Todos os domingos eles saem à rua para defender a União Europeia

Cidadãos que participaram, há uma semana, no evento do Pulse of Europe em Paris (França)

Face ao crescimento do populismo, nacionalismo, xenofobia, movimento cívico quer defender o que de bom trouxe a UE. E, para isso, mobilizar os cidadãos. Na internet e nas ruas. Em Lisboa há um encontro hoje, às 15.00, no Largo de Camões

A União Europeia está em crise, é costume ouvir-se dizer. Os detratores do projeto europeu marcam pontos junto da opinião pública, mobilizam-se e tornam-se visíveis, no mundo real e virtual. Os defensores, por seu lado, dão uma imagem de imobilismo. Para mudar isso surgiu agora a iniciativa Pulse of Europe - Pulso da Europa. Lançado por um casal de advogados alemães, Daniel e Sabine Röder, o movimento foi crescendo, a palavra passando através das redes sociais e agora, todos os domingos, são organizados eventos nos Estados membros da UE para lembrar que "o que está em jogo é a sobrevivência da Europa". Em Lisboa, está previsto, para hoje, um encontro no Largo de Camões às 15.00. Como disse Daniel à DW o objetivo é "acordar a maioria silenciosa" que reconhece os benefícios da UE.

"Os Röder vivem em Frankfurt. Depois das vitórias do brexit e de Donald Trump nos EUA ficaram chocados, porque, como muitos, não esperavam esses resultados. Decidiram que estava na hora de fazer qualquer coisa para evitar resultados parecidos nas eleições na Holanda, França, Alemanha, não dando espaço aos populistas que têm por objetivo a saída dos seus países da União Europeia", explica ao DN Elisabeth Kühl, administradora de uma empresa de serviços franco-alemã de Colónia. Na Holanda Geert Wilders, do partido de extrema-direita PVV, não conseguiu vencer as eleições de dia 5. Falta ver o que acontece em abril e maio com a FN de Marine Le Pen nas presidenciais em França e em setembro com a AfD nas eleições legislativas alemãs.

"Neste momento nada pode ser absolutamente excluído, mas ao que parece a Europa está a acordar da sua inércia e a lembrar-se da importância dos princípios democráticos e do Estado de Direito. Mesmo assim temos que estar vigilantes e convencer as pessoas a participar em eleições. O maior problema para a democracia é quando os democratas não votam", sublinha Elisabeth, de 43 anos, que de formação académica é especialista em questões da América Latina e sabe falar português. "Na declaração de Roma gostaria que ficasse inscrito que a Europa deve ficar unida para sempre. Apesar disso penso que a UE precisa de reformas para ser novamente atrativa para os seus cidadãos", afirma, referindo-se à cimeira que no dia 25 vai assinalar os 60 anos da assinatura do Tratado de Roma, o qual lançou as bases do que é hoje a UE. Para esse sábado estão convocados todos os cidadãos que queiram participar na capital italiana na Marcha pela Europa 2017.

"O meu avô era analfabeto, como era mais de 30% da população portuguesa há 30 anos. A UE trouxe a Portugal desenvolvimento e infraestruturas que muito dificilmente teriam sido realizadas se não fosse a nossa entrada na CEE. Quero manter o privilégio de viajar para qualquer país da Europa sem fronteiras, em lazer ou trabalho, o nosso mercado é muito pequeno e é mais fácil trabalhar para uma Europa unida e livre de barreiras. Num mercado globalizado é fundamental podermos ser europeus e portugueses e não apenas cidadãos de um pequeno país no extremo ocidental da Europa. Por isso é fundamental mantermos o ideal europeu e lutar contra aqueles que são contra a Europa, tanto dentro como fora dela", diz ao DN Miguel Soares, de 46 anos, um dos porta-vozes do Pulse of Europe Portugal.

Engenheiro eletrotécnico e gestor de profissão, considera fulcral que os cidadãos tomem o seu futuro nas mãos. "Os cidadãos, não só em Portugal, mas em geral, têm vindo progressivamente a afastar-se da sua responsabilidade de conduzir o futuro da nossa sociedade. Isso vê-se no progressivo aumento da abstenção em atos eleitorais ou mesmo em referendos. A meu ver, isso tem acontecido muito em especial por descrédito da classe política e a eterna sensação de que o nosso voto nada vale, porque depois de eleitos esquecem o prometido ao eleitorado", nota, reforçando que "todos estes fatores têm dado espaço ao crescimento de movimentos populistas, nacionalistas, racistas, xenófobos etc...". Daí o nascimento deste movimento.

Quanto à declaração de Roma, Miguel Soares considera que devem ser lembrados os motivos que levaram à criação da então CEE. "Essencialmente um projeto de paz e de prosperidade económica ao serviço dos cidadãos. Vivemos recentemente tempos de crise económica que mostraram aos cidadãos uma Europa tecnocrata, demasiado economicista e distante dos eleitores". Apesar de tudo, diz, é preciso admitir que "a UE goza de uma qualidade de vida invejável. As diferenças entre países esbatem-se se as compararmos com o resto do mundo".

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