"Todos os alunos na Índia conhecem Portugal e o seu intrépido marinheiro Vasco da Gama"

Para celebrar os 71 anos da independência da Índia proclamada a 15 de agosto de 1947, a embaixada associou-se à câmara de Lisboa para um Festival da Índia. São mais de cinco séculos de relações luso-indianas e a embaixadora K. Nandini Singla aceitou o desafiou de comentar sete palavras que provam essa ligação.

Sétimo maior país do mundo e com os seus 1300 milhões de habitantes prestes a ultrapassar a China como o mais populoso, a Índia é hoje também uma grande potência económica, tendo em 2016 alcançado o 6.º lugar na hierarquia dos maiores PIBs, deixando para trás a França (e este ano deverá passar a Grã-Bretanha, antiga potência colonizadora, conquistando a quinta posição). Contudo, é sobretudo a pujança cultural que hoje será celebrada em Lisboa, no Jardim Vasco da Gama, no Festival da Índia. Desde a música à gastronomia, passando pelo artesanato e a joalharia, quem visitar o espaço situado frente ao Mosteiro dos Jerónimos poderá sentir a diversidade imensa de um país onde religiões e línguas diversas coexistem e que tem uma ligação histórica muito forte a Portugal, seja devido à chegada de Vasco da Gama em 1498, seja pelo papel de Goa, antiga colónia portuguesa, na Índia atual.

"Pela primeira vez, estamos a celebrar o Dia da Independência da Índia com um 'Festival da Índia', um evento que oferece ao povo português os sabores da Índia, as suas cores, arte e cultura. As celebrações de Dias Nacionais são normalmente restritas a convidados; desta feita, e sendo também um feriado em Portugal, queremos dar a conhecer a incrível diversidade da Índia a todas as pessoas, inclusive aos turistas que visitam o país", é o convite da embaixadora K. Nandini Singla. Neste dois anos em Lisboa, a diplomata presenciou já a visita do primeiro-ministro António Costa à Índia e também uma vinda do seu homólogo indiano, Narendra Modi, a Portugal, e tem-se destacado pelo empenho em promover as relações bilaterais nos campos mais diversos, desde a economia à ciência, passando pelo cultura e a educação. A embaixadora aceitou assim o desafio do DN para comentar sete palavras/figuras que fazem a ponte entre Portugal e a Índia, mas sem deixar de fazer uma fortíssimo apelo a que os portugueses, e não só, visitem a Índia e procurem saber mais sobre o país.

VASCO DA GAMA

"Embora a história da Índia remonte há milhares de anos, todos os livros de história Indiana recordam o navegador português Vasco da Gama como a primeira pessoa a ligar a Europa à Índia por mar, em 1498. Assim, todos os alunos na Índia conhecem Portugal e o seu intrépido marinheiro que corajosamente navegou mares desconhecidos, descobrindo um caminho marítimo para a Índia e ligando o Atlântico e o Índico. De certa forma, a história completou agora um círculo, com cerca de 31 milhões de Indianos estabelecendo-se em margens e países distantes em todo o mundo, incluindo em Portugal, que acolhe uma diáspora indiana de mais de 70 000 pessoas. Neste mundo globalizado da internet, onde as fronteiras são cada vez mais irrelevantes, faz sentido que o primeiro Festival da Índia que procura aproximar a Índia dos Portugueses e dos turistas que visitam Portugal tenha lugar num jardim que recebe o nome do primeiro Português que ligou os dois países - o Jardim Vasco da Gama. É igualmente apropriado que este parque esteja em frente ao icónico Museu dos Jerónimos, onde o corpo de Vasco da Gama, que faleceu em Kochi, na Índia, descansa.

Enquanto Vasco da Gama demorou 10 longos meses a descobrir a Índia, eu espero que os portugueses empreendam uma curta viagem até ao Jardim Vasco da Gama para redescobrir o que a Índia tem para oferecer - comida e bebida dos diferentes cantos da Índia - desde xacuti, vindaloo e bebinca de Goa, de fazer crescer água na boca, até às estaladiças dosas e vadas do Sul da Índia; desde um incrível thaali vegetariano de Gujarat e snacks até ao delicioso butter chicken e kebab. Experimente a magia da 'Incredible India' praticando Yoga, aprendendo movimentos de Bollywood, percebendo como vestir um lindo saree Indiano, como desenhar exóticos padrões de Rangoli ou como escrever o seu nome em Hindi! Pode experimentar tudo isto enquanto recebe uma rejuvenescedora e relaxante massagem Ayurvédica ou enquanto faz uma tatuagem de henna, tudo isto ao som de encantatórias danças clássicas Indianas e música que abrangem o revigorante Bhangra de Punjab e danças de Bollywood, às elegantes danças Odissi, Bharatanatyam e recitais de cítara. Mas nenhuma experiência Indiana está completa sem que faça compras! Assim, convidamo-lo a adquirir roupa, joalharia, artesanato, écharpes, especiarias, doces, condimentos, snacks, cosméticos orgânicos Indianos e muito mais. E antes de ir embora, convidamo-lo a descobrir o mundo do algodão e da seda naturais manufaturados na Índia, o Khadi, e a levar consigo empolgantes brochuras e roteiros turísticos para planear a sua visita à Índia!

Os turistas podem agora adquirir vistos para a Índia em menos de 72 horas, solicitando um visto electrónico (e-Visa) a partir do conforto de sua casa. Quando comparado com o processo normal de visto, o e-Visa é mais barato (cerca de USD 80), mais rápido (normalmente recebido por e-mail em menos de 72 horas) e mais prático (todo o processo é online e os requerentes não têm de se deslocar à Embaixada)."

GOA

"A maior cidade no estado de Goa é Vasco da Gama, que recebe o nome do explorador Português e Governador da Índia Portuguesa. Goa continua a ser um laço mágico que liga os portugueses à Índia. Quase todos os portugueses têm um membro na sua família com ligações a Goa e praticamente todos os turistas portugueses que vão à Índia visitam Goa! Com tantos apelidos portugueses em Goa (como por exemplo Alvares, Almeida, Botelho, Carvalho, Souza, Silva, Ferreira, Pereira, Mendes, Rodrigues etc.), igrejas portuguesas, monumentos, fortes e locais como o Bairro das Fontainhas, bem como a bela topografia das praias deslumbrantes, montanhas e paisagens verdejantes, Goa, uma amálgama encantadora do Oriente e do Ocidente, atrai não só portugueses como também mais de 6 milhões de turistas por ano, provenientes não só da Índia, mas também do resto do mundo. Existe em Portugal uma grande e distinta diáspora de Goa, representada pela associação da Casa de Goa em Lisboa, que irá apresentar delícias goesas, tais como o xacuti, vindaloo e bebinca no Festival da Índia, por forma a reavivar os antigos laços da cozinha, da família e da afinidade! Estas ligações seculares entre a Índia e Portugal também se refletem nas múltiplas palavras partilhadas pelo léxico da língua portuguesa e das línguas indianas: por exemplo, "ananás", "armário", "aia", "botão", "caril", "câmara", "camisa", "chave", "cartucho", "mesa", "pão", "padre", "toalha", etc.

Em Fevereiro deste ano, tivemos a primeira visita a Portugal de uma delegação do governo de Goa, liderada pelo Chief Secretary de Goa. Estamos a explorar parcerias nos setores da água, do turismo, da hospitalidade e do intercâmbio académico de modo a aprofundar as ligações."

YOGA

"Nos meus dois anos em Portugal, constatei a existência de um grande número de portugueses genuinamente interessados no Yoga indiano, na meditação e na espiritualidade. De facto, conheci aqui algumas das pessoas espiritualmente mais evoluídas e verdadeiros mestres de Yoga! E, enquanto indiana, dei por mim pela primeira vez a aprender Yoga afincadamente em Portugal, com uma fabulosa professora de Yoga portuguesa, a Sandra Xavier (que adotou o nome Chandra Devi), que trabalha com a Confederação Portuguesa do Yoga. A Confederação Portuguesa do Yoga tem mais de 47 centros de prática, onde é lecionado Yoga a milhares de portugueses, em vários pontos do país, e é liderada por Jagat Guru Amrta Suryananda Maha Raja (Jorge Vieira), que recebeu o prémio Padma Shri, a mais elevada condecoração civil atribuída pelo governo indiano, pelos seus excecionais esforços na promoção do Yoga e dos valores espirituais indianos. Há muitos outros professores de Yoga maravilhosos em Portugal e encontro entre os portugueses uma particular recetividade à compreensão do verdadeiro sentido do Yoga, que significa "união" entre o indivíduo e o cosmos. Eles percebem que o Yoga é muito mais que um simples exercício de alongamento físico, de posturas (asanas); é uma forma de dominar a energia de cada um de nós e sintonizá-la com a do universo, transcendendo as limitações do corpo físico e da dimensão material. Conheci muitos portugueses maravilhosos que percorrem este caminho de espiritualidade e consciência universal e acredito que é este povo caloroso e amigável que faz de Portugal um destino atrativo, para além do sol e da areia! De modo a trazer o Yoga e a Ayurveda para mais perto dos portugueses, temos uma aula de Yoga gratuita às 19H00 e massagens Ayurvédicas revigorantes ao longo do dia 15 de agosto, no Festival da Índia. Convido-os a experimentar estes agradáveis caminhos para o bem-estar holístico!"

ESPECIARIAS

"É dito que a demanda de Vasco da Gama e de outros exploradores ocidentais pela Índia visava as famigeradas especiarias indianas, o "ouro das Índias" - a canela indiana, o gengibre, o cravinho, a pimenta e a curcuma que eram difíceis de cultivar na Europa e importados do Oriente com elevados custos. A descoberta, por Vasco da Gama, da rota marítima para Kochi, "a cidade das especiarias" na Índia, criou uma alternativa à dispendiosa e insegura rota terrestre, dominada pelos Árabes e pelos mercadores venezianos, permitindo a Portugal monopolizar o comércio de especiarias por mar e tornar-se uma potência próspera. O comércio de especiarias entre Portugal e a Índia durante mais de meio milénio resultou no uso da noz moscada, canela e curcuma na comida portuguesa e em paralelismos culinários entre os dois países: por exemplo, a carne de vinha d'alhos, um prato português que usa alho esmagado e vinho, é idêntico ao vindaloo de Goa, que supostamente deriva das palavras portuguesas "vinho" e "alho". E temos ainda a predileta chamuça. É também difícil imaginar os icónicos pastel de nata, arroz doce, bolos e bolinhos da doçaria portuguesa, ou até um jarro de sangria sem a canela! Ou bacalhau com natas sem um toque de noz moscada, preparados de carne e alguns molhos sem a presença discreta do cravinho! Embora os portugueses tenham aprendido com os indianos que as especiarias são, de facto, "o que dá sabor à vida", também deixaram na Índia marcas da sua herança culinária: o português sarapatel e o pudim em camadas bebinca são dois desses exemplos! Na Índia, acreditamos que as especiarias não só emprestam sabor e preservam a comida, como também têm potentes propriedades medicinais, que podem prevenir e curar doenças, restabelecendo o equilíbrio essencial no corpo entre os cinco elementos, expressos como as três "doshas" que governam a saúde física, mental e emocional do ser humano - "Vata" (ar/éter), "Pitta" (fogo/água) e "Kapha" (água/terra). Na Ayurveda, o sistema tradicional indiano de medicina holística baseado em ervas naturais que conta com mais de 5000 anos de existência, as especiarias são usadas para melhorar a digestão e o sistema imunitário, tratar doenças, perder peso, reduzir a dor, a inflamação e prevenir doenças crónicas. Portanto, venha e experiencie os magníficos aromas e benefícios das especiarias indianas, os efeitos terapêuticos rejuvenescedores e relaxantes de uma massagem tradicional Ayurvédica com óleos e ervas calmantes dadas por especialistas! Poderá ainda comprar uma panóplia de especiarias para que a cozinha de sua casa o faça pensar na Índia até à sua próxima visita à terra das especiarias!"

GANDHI

"Estou muito feliz por constatar que Gandhi e os seus valores continuam a ecoar em Portugal. Não encontrei até hoje um único português que não tenha ouvido falar de Gandhiji! Quando cheguei a Portugal, há dois anos, ao percorrer o caminho entre o aeroporto e a minha residência no Restelo, fiquei surpresa ao ver uma bonita estátua de Mahatma Gandhi num cruzamento no Restelo, dando-me as boas vindas a Portugal. Mais tarde, descobri que uma das raras estátuas de Gandhiji acompanhado de sua mulher se encontra em Portugal, à entrada do Templo Radha Krishna, no Lumiar, na Comunidade Hindu de Portugal! Todos os anos, prestamos homenagem a estas estátuas no aniversário de Gandhiji, a 2 de Outubro; a Comunidade Hindu de Portugal (cuja maioria dos membros provém de Gujarat, na Índia, de onde Gandhiji era originário), celebra este dia organizando uma dádiva de sangue coletiva e outras atividades de apoio comunitário. Neste ano, no dia 2 de outubro, o governo da Índia está a organizar celebrações comemorativas especiais em todo o mundo, para marcar o 150.º aniversário do nascimento de Gandhiji, e estamos profundamente honrados pelo facto do Senhor Primeiro Ministro de Portugal, Dr. António Costa, ser membro do Comité de Organização estabelecido pelo governo da Índia para este propósito. Acreditamos que a graciosa aceitação, por parte do primeiro-ministro António Costa, do convite feito pelo Primeiro Ministro Narendra Modi para integrar este Comité, não é apenas um tributo à sua origem indiana e o seu compromisso com os valores de Gandhi, mas também ao reconhecimento, por parte de Portugal, da relevância intemporal dos princípios da paz, da recusa à violência e do humanismo defendidos por Gandhiji e um testemunho do rápido aprofundar das relações e laços de amizade entre Portugal e a Índia. No dia 2 de Outubro deste ano, esperamos lançar em Portugal um ciclo anual de actividades alusivas à relevância da mensagem de fraternidade universal de Mahatma Gandhi e espero que se juntem a nós para honrar a sua memória."

ANTÓNIO COSTA

O maior e mais importante laço entre os nossos dois países é o primeiro -ministro António Costa! Ele é a primeira pessoa de origem indiana a tornar-se primeiro-ministro num país ocidental. O Presidente da Índia honrou-o com a mais elevada condecoração atribuída à diáspora indiana (o prémio Pravasi Bharatiya Sammaan) quando o Primeiro Ministro António Costa realizou uma visita de Estado à Índia em janeiro do ano passado. O pai do Primeiro Ministro António Costa, Orlando da Costa, era um conceituado escritor que publicou vários livros e peças em Goa. Embora tenha sido recebido como uma "estrela" onde quer que tenha ido na Índia, o primeiro- ministro António Costa foi recebido como um membro da família em Goa e Margão, quando visitou o lar dos seus antepassados e partilhou as suas memórias de ter comido sarapatel e vindaloo! Em Goa, participou também no lançamento de uma tradução para língua inglesa do conhecido livro de seu pai, O Signo da Ira. Para além dos seus laços de sangue e relação sentimental com a Índia, a visão pragmática do primeiro-ministro António Costa para a criação de uma parceria forte e moderna entre os nossos dois países, partilhada pelo nosso visionário Primeiro Ministro Narendra Modi, elevou as nossas relações bilaterais a outro patamar. O Primeiro Ministro Modi retribuiu a visita, tornando-se o primeiro Chefe de Governo indiano a levar a cabo uma visita bilateral autónoma a Portugal em junho do ano passado. Destas visitas, que não distaram mais de 6 meses, resultou a celebração de 20 acordos. Esta visão partilhada pelos nossos dois líderes, traduziu-se em esforços bilaterais concretos para aprofundar a nossa cooperação em áreas prioritárias como a Ciência e Tecnologia, as "startups", Comércio e Investimento, Educação Superior, cooperação comercial em países terceiros e no estreitamento de relações em setores chave como o espaço, a defesa, as energias renováveis, a água, as infraestruturas, o turismo e a hospitalidade, a administração digital, o desporto, os intercâmbios de juventude e culturais, bem como "Bollywood" e os laços entre pessoas. Não duvido que este robusto momento no nosso relacionamento irá melhorar a vida das pessoas de múltiplas formas."

BOLLYWOOD

E finalmente, como seria possível não mencionar o espetacular Bollywood quando nos reportamos à vibrante Índia? A Índia é o maior produtor de filmes a nível mundial, com quase 2000 filmes lançados anualmente em 35 línguas indianas, com o maior número de espectadores em todo o mundo. A multimilionária indústria de filmes indiana é conhecida mundialmente por fazer filmes carregados de cor, drama, dança e música - e está cada vez mais a gravar filmes no estrangeiro, incluíndo em Portugal! Foram aqui rodados filmes em línguas indianas regionais como Malayalam, Kannada ou Telugu, assim como em Hindi. Durante a visita do Primeiro Ministro António Costa à Índia no ano passado, organizámos uma sessão com a indústria cinematográfica indiana para os encorajar a filmar mais neste lindíssimo Portugal, que oferece paisagens maravilhosas e planos magníficos. Atendendo à popularidade dos filmes na Índia, este pode ser um fator fulcral na atração de mais turistas indianos para Portugal. Por exemplo, em 2011, a megaprodução de Bollywood Zindagi na milegi dobara (Apenas se vive uma vez), rodada em Espanha com a cooperação da Agência de Promoção de Turismo daquele país, resultou no triplicar do número de visitas de turistas indianos! Esperamos trazer a Portugal um filme de Bollywood do mesmo género, para que este país entre definitivamente no radar dos 50 milhões de turistas indianos que viajam anualmente para o estrangeiro. Temos já diversos filmes de Bollywood legendados em português e esperamos ter um Festival de Cinema da Índia em Portugal para trazer o cinema indiano até ao povo português. Para aguçar o apetite, teremos no Festival da Índia, a 15 de Agosto, atuações de dança de Bollywood para que se divirta, assim como um workshop de Bollywood para que aprenda alguns dos mais emblemáticos passos desta dança! Venha, experimente e divirta-se!"

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