"Titanic nuclear". Rússia lança central atómica flutuante no Ártico

Ambientalistas avisam para perigos associados a esta central flutuante: um autêntico "Chernobyl on ice". O barco mede quase um quilómetro e meio e pesa 21 mil toneladas.

A Rússia lançou um polémico reator nuclear flutuante, apesar dos alertas de ambientalistas de que o navio representa um grave risco de segurança, apelidando-o de "Chernobyl on ice" (Chernobyl no gelo), relatou a revista americana Newsweek.

O Akademik Lomonosov deixou o porto de Murmansk, no Ártico, esta sexta-feira, iniciando uma viagem de 3 000 quilómetros até uma remota região siberiana da Rússia, no nordeste do país, informou a AFP.

Segundo a agência nuclear estatal Rosatom, citada pela Newsweek, o projeto só merece elogios, uma vez que o navio Akademik Lomonosov irá fornecer energia para comunidades isoladas sem a necessidade de construir uma central permanente em solo que se mantém congelado o ano todo. A Rosatom planeia vender esta tecnologia "flutuante" para outros países que não podem ou não querem construir instalações nucleares permanentes.

Quem não gostou da ideia da agência nuclear russa foram grupos ambientalistas, que classificaram o reator de "Chernobyl on ice", referindo-se à central nuclear que explodiu em abril de 1986, ou de "Titanic nuclear", o navio transatlântico que embateu num icebergue e que naufragou no oceano Atlântico, em 15 de abril de 1912, cinco anos depois de ter largado da Grã-Bretanha.

Os ambientalistas alertam para acidentes que poderão ocorrer devido a colisões com outros navios ou por causa de tempestades, irradiando o ambiente do Ártico. O chefe do setor de energia do Greenpeace Rússia, Rashid Alimov, disse à AFP que os riscos inerentes associados a qualquer reator nuclear são multiplicados pelo facto de que o Akademik Lomonosov, de 472 pés (1429 metros!), se tratar de uma instalação flutuante.

"O Akademik Lomonosov é ainda vulnerável a tempestades", explicou Alimov. O reator será rebocado para a sua posição por outros navios, o que significa que em caso de tempestade há um risco acrescido de que a embarcação possa colidir com algum dos seus rebocadores.

O barco armazenará o combustível nuclear gasto a bordo, o que significa que qualquer acidente pode "ter um sério impacto sobre o frágil ambiente do Ártico", apontou Alimov. Um incidente destes no remoto Ártico poderá ser especialmente sério, dada a falta de infraestruturas para facilitar qualquer esforço de limpeza, alertou o ambientalista.

Segundo a Newsweek, a viagem do reator de 21 mil toneladas deve durar entre quatro e seis semanas, dependendo das condições meteorológicas durante a viagem e da quantidade de gelo que deve atravessar para chegar a Pevek, uma cidade de 5 000 habitantes na região siberiana de Chukotka.