"Tínhamos casas num lado da rua que agora estão no outro". Furacão deixa rasto de destruição

O Michael foi a terceira tempestade mais forte a atingir os EUA desde que há registo. Fez pelo menos seis mortos e deixou um cenário de devastação por onde passou

Sarah Radney, de 11 anos, estava sentada ao lado da avó quando a porta de uma garagem irrompeu pela casa no sudoeste da Geórgia devido aos ventos do furacão Michael e a atingiu na cabeça. É a sexta vítima mortal confirmada daquele que foi o terceiro pior furacão a atingir os EUA desde que há registo, deixando um cenário de devastação.

Além de Sarah, quatro pessoas morreram na Florida e outra na Carolina do Norte, quando a viatura em que seguia foi atingida por uma árvore. Este último estado já tinha sido fortemente atingido pelo furacão Florence, no mês passado.

O furacão Michael atingiu a costa noroeste da Florida, perto de Mexico Beach, com ventos de 250 quilómetros por hora e alagando toda região. Era um furacão de categoria 4 na escala de Saffir-Simpson (que vai até 5), tendo depois recuado até ao nível de pós-tempestade tropical.

Nesta cidade costeira onde vivem cerca de mil pessoas, bairros completos ficaram reduzidos a placas de cimento na areia e pilhas de madeira. Militares norte-americanos criaram um caminho pelo meio dos escombros para permitir que os socorristas consigam procurar por habitantes que tenham ficado presos em casa, sobreviventes ou vítimas. Cães, drones e GPS estão a ser usados nas buscas.

Cerca de 375 mil pessoas na Florida receberam ordem para sair das suas casas e fugir, mas muitas recusaram, incluindo perto de 285 pessoas em Mexico Beach.

"Preparamo-nos para o pior e esperamos o melhor. Isto é obviamente o pior", disse à Reuters Stephanie Palmer, socorrista da FEMA (a agência federal de emergência dos EUA).

Em Port St. Joe, a 19 quilómetros de Mexico Beach, o presidente da câmara revela o cenário de devastação: "Tínhamos casas que estavam num lado da rua e agora estão no outro", afirmou Bo Patterson, estimando que mil casas tenham sido parcial ou completamente destruídas na cidade de 3500 habitantes.

Mais de um milhão de casas e edifícios estão sem eletricidade nos estados afetados, havendo 20 mil pessoas em abrigos de emergência.

Terceira maior tempestade

O Michael foi a terceira tempestade mais forte a atingir os EUA desde que há registo, ficando apenas atrás do furacão Camille, que atingiu a costa do Mississípi em 1969, e do furacão do Dia do Trabalhador de 1935, nas Florida Keys. Foi ainda o primeiro furacão de categoria 4 a atingir a região de Panhandle (como é conhecida a região noroeste da Florida) desde que começou a haver registos, em 1851.

Apesar de o olho da tempestade se encontrar sobre o Atlântico, o impacto ainda se faz sentir na costa, com previsões de mais cheias devido às chuvas na Virgínia, Maryland, Delaware até parte de Nova Jérsia.

"É uma devastação impensável", disse o governador da Florida, Rick Scott. "Muitas pessoas ficaram feridas", acrescentou. "A ajuda chega do ar, de terra do mar", garantiu.

O presidente norte-americano, Donald Trump, aprovou a declaração do estado de catástrofe na Florida, permitindo desbloquear mais ajuda federal, declarando também o estado de emergência na Geórgia.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.

Premium

Brexit

"Não penso que Theresa May seja uma mulher muito confiável"

O diretor do gabinete em Bruxelas do think tank Open Europe afirma ao DN que a União Europeia não deve fechar a porta das negociações com o Reino Unido, mas considera que, para tal, Theresa May precisa de ser "mais clara". Vê a possibilidade de travar o Brexit como algo muito remoto, de "hipóteses muito reduzidas", dependente de muitos fatores difíceis de conjugar.