Theresa May tem dez dias para melhorar a sua proposta sobre o brexit

Prazo foi dado por Tusk num encontro com a primeira-ministra britânica e termina no dia em que esta se reúne com Juncker

O Reino Unido viveu nesta semana os primeiros efeitos práticos da sua saída da União Europeia com a escolha das cidades que irão suceder a Londres como sede da Agência Europeia de Medicamentos e da Autoridade Bancária Europeia, mas também a exclusão das candidaturas britânicas para acolher a Capital Europeia da Cultura em 2023. Ontem, o presidente do Conselho Europeu encontrou-se com Theresa May e lembrou-a de que o relógio não para, dando à primeira-ministra britânica dez dias para melhorar a oferta de Londres sobre os termos do brexit. Caso contrário será difícil convencer os líderes dos 27 na cimeira de dezembro a iniciar as negociações comerciais com o Reino Unido, avisou Donald Tusk.

Sem um acordo já no próximo mês, o prazo para conseguir um entendimento sobre os termos da saída do Reino Unido da União Europeia será muito apertado, já que está marcada para março de 2019. “Precisamos de ver progressos do Reino Unido dentro de dez dias em todas as matérias, incluindo sobre a Irlanda”, tuitou ontem Donald Tusk após o seu encontro com Theresa May em Bruxelas.

A questão da fronteira da Irlanda do Norte tornou-se ainda mais complicada, pois ontem tudo indicava que o governo de Dublin poderá cair, depois de a oposição anunciar que irá apresentar uma moção de censura na próxima semana.

O líder do Conselho Europeu afirmou ainda ser possível que os líderes dos 27 decidam na cimeira de dezembro (marcada para os dias 14 e 15) que o Reino Unido alcançou “progressos suficientes” e acedam ao início das negociações sobre o acordo comercial entre as duas partes no próximo ano. Mas, sublinhou, este cenário “é ainda um enorme desafio”.

Ontem, numa palestra sobre as relações entre a UE e Londres, o antigo embaixador do Reino Unido junto do bloco, Ivan Rogers, também mostrou baixas expectativas sobre o assunto, dizendo que May não deverá esperar mais do que um acordo “aspiracional” e “puramente político”, sem valor legal, sobre o comércio antes do brexit se concretizar.

Fontes comunitárias esperam que a situação deverá deteriorar-se quando May regressar a Bruxelas no próximo dia 4, para um encontro com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o seu negociador-chefe para o brexit, Michel Barnier.

“Tusk apresentou o calendário, com o dia 4 de dezembro a ser o prazo final para o Reino Unido fazer esforços adicionais, permitindo a Barnier estar numa posição de recomendar progressos suficientes”, disse ontem à Reuters uma fonte comunitária. “O Reino Unido terá de dar garantias credíveis em como evitar uma fronteira fechada antes de 4 de dezembro, sendo ainda incerto como é que isto poderá ser feito”, acrescentou a mesma fonte.

Na perspetiva da primeira-ministra britânica, as negociações sobre o brexit estão a registar progressos, mas existem questões pendentes sobre o acordo do divórcio e a fronteira com a Irlanda. “Ainda existem problemas em vários assuntos que estamos a negociar para obter uma solução”, referiu Theresa May no final do encontro com Donald Tusk.

Um desses assuntos é quanto o Reino Unido irá pagar quando abandonar a União Europeia, com May a dizer que as duas partes estão a fazer progressos, mas recusando avançar com um valor. “Eu disse que iremos honrar os nossos compromissos e é sobre isso que temos falado”, declarou a governante.

No que diz respeito à fronteira entre as duas Irlandas, Theresa May garantiu que o seu governo está em contacto com o executivo de Dublin “sobre soluções para essa questão”. “Nós temos o mesmo desejo, queremos garantir que o movimento de pessoas e bens possam continuar como agora”, afirmou.

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