Usou exposição fotográfica para desculpar dez anos sem trabalho

Espanhol chefiava uma secção e picava todos os dias o ponto, mas nunca trabalhou

Carles Recio esteve 10 anos a picar o ponto, de manhã e à tarde, mas nunca trabalhou. Tinha um cargo de chefia no Arquivo Geral e Fotográfico de Valência, com um ordenado de cerca de 50 mil euros por ano, mas nunca trabalhou.

Esta quarta-feira, Carles Recio viu a autarquia valenciana encerrar-lhe uma exposição fotográfica, de seu nome "Carlos Recio: Amor a Valência. Os trabalhos de um homem que nunca trabalhou". De acordo com o El Mundo, a iniciativa foi aceite, mas a exposição acabou por ser encerrada mesmo antes de ser inaugurada.

Assim, diz o mesmo jornal, mal a Câmara de Valência descobriu que a exposição servia para "desculpar" a década sem trabalho de Carles Recio, encerrou-a imediatamente.

"Ao percebermos que ele pretendia utilizar recursos da instituição para limpar a sua imagem, decidimos anular a exposição", disse fonte camarária.

Carles Recio foi despedido em agosto de 2017 por ter "deixado funções" e ter cometido uma falha "muito grave", já que esteve alegadamente os tais dez anos sem trabalhar como responsável pela Unidade de Atuação Bibliográfica.

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