Temer foi gravado a dar aval para subornar Eduardo Cunha

Michel Temer (esq.) e Eduardo Cunha

Presidente brasileiro apanhado a incentivar pagamento pelo silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados. Fala-se em queda do governo e eleições

O presidente da República brasileiro, Michel Temer foi gravado, em março, a dar aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e hoje detido por corrupção e outros crimes no âmbito da Lava-Jato.

Segundo informação do jornal O Globo, Joesley Batista, magnata brasileiro dono da JBS, a maior empresa do setor das carnes do país, apresentou à polícia um áudio onde Temer o incentiva a pagar a Cunha pelo seu silêncio. "Temos de manter isso, viu?", diz o presidente.

Cunha, o principal motivador do impeachment de Dilma Rousseff, aliado e colega de partido de Temer, o PMDB, já havia, da prisão, dado a entender que poderia envolver Temer na Lava-Jato. O que fica agora provado com esta gravação na posse da polícia.

Joesley Batista entregou ainda um vídeo em que Rodrigo Loures, deputado do PMDB ligado a Temer, recebe uma mala com 500 mil reais para resolver assuntos ligados à JBS.

Noutro áudio, Aécio Neves, candidato à presidência derrotado em 2014 por Dilma, é gravado a pedir dois milhões de reais a Joesley. Com autorização da polícia, a entrega do dinheiro a um primo de Aécio foi filmada.

As consequências destes audios e vídeos, segundo as primeiras análises da imprensa, podem ser a demissão de Temer e a precipitação de eleições. Mas, como estamos a menos de dois anos da data marcada para a realização do próximo sufrágio, marcado para outubro de 2018, a eleição teria de ser, segundo a constituição brasileira, feita pelos congressistas, na sua maioria apoiantes do governo de Temer.

Entretanto, Michel Temer disse num comunicado que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio de ex-deputado Eduardo Cunha". Enquanto isso, centenas de pessoas manifestavam-se em São Paulo a pedir a demissão do presidente.

Em São Paulo

(Atualizada às 8:00 com comunicado de Michel Temer)

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