Michel Temer preferia Lula derrotado nas eleições a vê-lo afastado pela justiça

Tribunal aumentou pena do ex-presidente de nove anos e meio para doze anos e um mês de prisão. "Morto ele não está", diz atual presidente

O Presidente do Brasil, Michel Temer, disse hoje que preferia ver Lula da Silva derrotado nas eleições, em vez de afastado judicialmente da corrida, considerando que isso pacificaria o país.

"Quando eu examino o quadro político, pessoalmente apreciaria que ele [Lula da Silva] não tivesse estas responsabilizações todas, que pudesse disputar a eleição e fosse vencido no voto porque isto pacificaria o país", disse Michel Temer em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Considerando a sua figura "muito carismática", Temer acrescentou que ele é um nome importante na cena política brasileira: "morto [politicamente] ele não está".

A declaração do atual Presidente do Brasil tem relação direta com a condenação imposta em segunda instância contra Lula da Silva na última quarta-feira por três juízes do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), que aumentaram a pena de nove anos e meio para doze anos e um mês de prisão.

O ex-Presidente brasileiro foi novamente considerado culpado no julgamento de um processo relacionada a Operação Lava Jato no qual era acusado de receber um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS em troca de favorecer a empresa em contratos com estatal petrolífera brasileira Petrobras.

A sentença pode impedir as aspirações políticas de Lula da Silva porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não deve aceitar sua candidatura já que a lei eleitoral do país proíbe candidatos com condenação em segunda instância.

Lula da Silva, que lidera todas as pesquisas da intenção de voto, poderá apresentar novos recursos judiciais para registar a candidatura mas vários juristas brasileiros têm dito publicamente que as hipóteses de sucesso são muito baixas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.