Televisão pública japonesa emite por engano alerta de míssil norte-coreano

A estação televisiva disse que a informação incorreta resultou de um erro de um elemento da equipa que estava a trabalhar no sistema de alerta para notícias online

A televisão pública japonesa emitiu hoje por engano um alerta aos cidadãos de lançamento de um míssil norte-coreano, instando-os a procurarem imediatamente refúgio, e só alguns minutos depois corrigiu a informação, dias após um erro semelhante no Hawai.

A estação televisiva NHK difundiu a mensagem na sua página na Internet e serviço noticioso para telemóveis, e também na rede social Twitter, dizendo que aparentemente a Coreia do Norte tinha disparado um míssil contra o Japão e que o Governo estava a aconselhar as pessoas a procurarem abrigo.

"A Coreia do Norte parece ter disparado um míssil", noticiou a NHK, acrescentando que tinha sido emitido um aviso governamental: "O Governo: Procurem refúgio dentro de edifícios e em caves".

O falso alarme ocorreu apenas alguns dias depois de a Agência de Gestão de Emergências do Estado norte-americano do Hawai ter enviado um alerta de míssil norte-coreano para telemóveis de todo o Estado, desencadeando o pânico.

A NHK disse que a informação incorreta resultou de um erro de um elemento da equipa que estava a trabalhar no sistema de alerta para notícias 'online', mas não forneceu mais pormenores.

Limitou-se a apagar o 'tweet' e o texto do alerta ao fim de vários minutos, enviar uma correção e pedir diversas vezes desculpa na emissão noticiosa e noutros programas.

"O 'flash' foi um erro. Pedimos muita desculpa", disse a estação japonesa.

No Japão, a tensão relativamente a testes de mísseis norte-coreanos tem aumentado à medida que eles se aproximam das costas japonesas.

A NHK e outros órgãos de comunicação social do país geralmente emitem alertas para cada teste balístico, e o Governo emitiu avisos sempre que os mísseis entraram em espaço aéreo nipónico.

O Japão está também a aumentar a sua capacidade de interceção de mísseis e a realizar em todo o país simulações de ataque com mísseis, nas quais os habitantes, incluindo crianças em idade escolar e pessoas idosas, se dirigem para centros comunitários, protegem a cabeça e se agacham no chão. Está prevista uma grande simulação na baixa de Tóquio na próxima semana.

Ao contrário do falso alarme do Hawai, o alerta da NHK não continha a frase "Isto não é uma simulação", e a TV japonesa conseguiu corrigir o erro alguns minutos depois, ao passo que as autoridades havaianas demoraram 40 minutos a retirar o alerta.

A agência havaiana já mudou os seus protocolos para exigir que duas pessoas enviem um alerta e tornou mais fácil o cancelamento de um falso alarme.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.