Governo dos EUA indignado com libertação do "talibã americano"

Capturado num campo de batalha no Afeganistão, em 2001, John Walker Lindh passou os últimos 17 anos na prisão. Mike Pompeo, secretário de Estado e ex-diretor da CIA, diz que ele ainda é uma ameaça.

John Walker Lindh, o norte-americano que ficou conhecido como "talibã americano", após a sua captura num campo de batalha no Afeganistão, em 2001, foi libertado da prisão, perante a indignação do governo dos EUA.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, mostrou-se hoje preocupado e indignado com a libertação do "talibã americano", após este ter estado preso nos EUA durante 17 anos.

"Pelo que entendi, ele ainda é uma ameaça para os Estados Unidos e ainda acredita na 'jihad' que liderou", disse Mike Pompeo, referindo ainda que Walker Lindh "matou um grande americano e um grande soldado", referindo-se ao agente de elite da CIA, Johnny Spann, vítima do "talibã americano".

John Walker Lindh, 38 anos, foi libertado de uma prisão de alta segurança no norte dos Estados Unidos, onde foi colocado em 2002.

Lindh foi capturado com outros talibãs, durante uma ofensiva militar norte-americana no Afeganistão, no final de 2001, tendo sido então detido numa prisão perto Mazar-i-Shariff, no norte do Afeganistão.

Nessa altura, Lindh foi interrogado pelo agente Johnny Spann, que foi assassinado durante um motim dos presos, na cadeia afegã, tornando-se o primeiro oficial dos EUA a ser morto na "guerra ao terror" decretada pelo então Presidente, George W. Bush.

Ferido durante o motim, em que participou, John Walker Lindh foi para os EUA, para ser julgado e sentenciado, em 2002, a uma pena de 20 anos de prisão, acusado de ter colaborado com um movimento terrorista e pela morte de Johnny Spann.

"Eu liderei a CIA, Johnny Spann era um de nós, um homem incrivelmente íntegro e corajoso", lembrou hoje Mike Pompeo, não escondendo a indignação pela sua libertação, que considera prematura.

"Permitimos a libertação de alguém que esteve envolvido na sua morte (de Spann), após uma pena relativamente curta", protestou o secretário de Estado norte-americano, apelando a que os tribunais possam corrigir esta situação.

As autoridades dos EUA acreditam que Lindh continua a acreditar na ideologia extremista que o levou a ir lutar contra o Ocidente, no Afeganistão, onde esteve ligado aos movimentos 'jihadistas".

John Walker Lindh converteu-se ao islamismo na Califórnia, quando ainda apenas tinha 16 anos, e viajou para o Iémen, em 1998, para estudar árabe.

Regressou aos EUA em 2001, para partir logo de seguida para o Afeganistão, para lutar ao lado dos talibãs, tendo recebido treino de Al-Farouq, num campo associado ao movimento terrorista Al-Qaeda.

Após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, Lindh permaneceu no Afeganistão, lutando contra o exército da coligação aliada, para ser capturado no final desse ano, durante uma incursão militar no norte daquele país.

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