Tajani fala em "momento histórico"; Bolívia e Cuba criticam "golpe de Estado"

O presidente do Parlamento Europeu aplaude a ação de Guaidó na Venezuela e EUA demonstram o seu apoio. Já os países amigos de Nicolas Maduro, como a Bolívia e Cuba, lamentam o "golpe de Estado"

A "Operação Liberdade" que o autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, está encabeçar esta terça-feira, já com o apoio de militares das Forças Armadas, está a suscitar reações um pouco por todo o mundo.

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, aplaudiu a ação de Guadió classificando o momento como "histórico para o regresso à democracia e à liberdade na Venezuela". Tajani sublinha que o Parlamento Europeu sempre apoiou este movimento, assinalando que "a libertação de Leopoldo Lopez (líder da oposição ao presidente Nicolas Maduro que estava em prisão domiciliária) foi uma grande notícia".

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, escreveu no Twitter que "o governo norte-americano apoia o povo venezuelano na sua busca pela liberdade e democracia. A democracia não pode ser derrotada", acrescentou.

Na mesma linha de apoio foram as palavras de Luís Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos: "Saudamos a adesão dos militares à Constituição e ao presidente responsável pela Venezuela, Juan Guaidó. É necessário dar todo o apoio ao processo de transição democrático, de forma pacífica", escreveu nas redes sociais.

De Espanha, a crise na Venezuela foi comentada na conferência de imprensa do primeiro Conselho de Ministros após as eleições de domingo último. "Desejamos com todas as nossas forças que não haja derramamento de sangue. Defendemos a realização imediata de eleições para a escolha de um novo presidente. Pedro Sanchez está a acompanhar tudo o que está a acontecer na Venezuela. Foram ativados todos os protocolos consulares para a proteção da nossa comunidade, que registava 167 255 espanhóis, a 1 de janeiro de 2018", declarou a porta-voz do governo Isabel Celaá.

Do continente americano, a Colômbia propôs uma reunião de emergência do grupo de Lima, para acompanhar a evolução dos acontecimentos. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Holmes Trujillo, apelou a todos os países que integram este grupo para "manterem o apoio ao regresso da democracia e da liberdade".

O Grupo de Lima é formado pelos chefes da diplomacia da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia.

Os amigos do ainda presidente Nicolas Maduro, Bolívia e Cuba, lamentaram o "golpe de Estado". "Recusamos este movimento golpista que pretende encher o país de violência. Os traidores que encabeçaram este movimento subversivo, usaram militares e polícias com armas de guerra na via pública da cidade para criar ansiedade e terror", disse Miguel Diáz-Canel, presidente cubano.

Na mesma linha foram as palavras de Evo Morales, presidente da Bolívia. "Os Estados Unidos, como a sua ingerência, promovem golpes de Estado com o objetivo de provocar violência e morte na Venezuela. Condenamos energicamente a tentativa de golpe de Estado por parte da direita que é submissa aos interesses estrangeiros. Estamos seguros que a valiosa Revolução Bolivariana à cabeça do irmão Nicolas Maduro se vai impor a este novo ataque do imperialismo", assinalou.

Ainda em apoio a Maduro, foi a reação de Allberto Garzón, coordenador da Izquierda Unida em Espanha, que criticou o apelo à revolta de Juan Guaidó. "O golpe de direita venezuelano tenta novamente ganhar o governo com armas, mais uma vez chamando os militares para combater seu próprio povo. O nosso firme compromisso é com a paz, o diálogo e contra o golpe de Estado", afirmou.

A esquerda francesa também saiu em defesa de Maduro, com Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa, a criticar a iniciativa de Juan Guadió. " Um fação de militares ultraminoritário com a marioneta Guadió, presidente autoproclamado. A Colômbia da extrema direita apela em vão que o Exército se divida", sublinha, questionado se o presidente francês, Emmanuel Macron, apoia "esta tentativa de golpe de Estado militar".

O Perú e o Panamá apoiam Juan Guadió

(Em atualização)

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