Supremo tribunal confirma proibição das Testemunhas de Jeová

Organização é considerada "extremista"

O Supremo tribunal russo confirmou esta segunda-feira a proibição das Testemunhas de Jeová, ao rejeitar o apelo desta organização considerada "extremista" na Rússia.

"O Supremo tribunal russo decidiu rejeitar o apelo da organização contra a sua proibição", indica a decisão da instância judicial, citada pela agência noticiosa pública RIA-Novosti.

No final de abril, as Testemunhas de Jeová foram proibidas na Rússia pelo Supremo tribunal, após uma solicitação do Ministério da Justiça que terá detetado neste movimento milenarista "sinais de atividade extremista".

Esta decisão da justiça russa abriu caminho à liquidação e 395 comunidades locais das Testemunhas de Jeová em território russo, onde a organização reivindica 175.000 membros, e à confiscação dos seus bens.

"Ainda não é o fim", assegurou Viktor Jenkov, advogado das Testemunhas de Jeová, citado pela agência Interfax.

"Vamos recorrer desta decisão perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos", sublinhou.

Movimento fundado nos Estados Unidos em 1873 por Charles Russel, as Testemunhas de Jeová reivindicam-se do cristianismo.

Na perspetiva da poderosa Igreja ortodoxa russa, as Testemunhas de Jeová são uma seita perigosa devido designadamente à proibição de transfusões sanguíneas entre os seus membros.

A Rússia já ordenou a dissolução em 2004 de um ramo das Testemunhas de Jeová, uma decisão considerada "injustificada" pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que condenou este país a 70 mil euros de indemnização em 2010 neste caso.

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