Submarino de mil milhões não cabe na base naval de Cartagena

Devido a erros no projeto, o S-80 aumentou de tamanho e de peso. Vai custar quase o dobro do que estava previsto: quase mil milhões de euros por cada um dos quatro exemplares

O projeto era ambicioso: construir um submarino que pudesse competir no mercado dos submarinos convencionais. O S-80 Plus, da Marinha espanhola, iria garantir benefícios superiores aos do alemão 214. Mas, até agora, o modelo tem sido um fracasso: ficou muito mais caro do que o estimado - cada um dos quatro exemplares irá custar mil milhões de euros - o que anula o fator competitividade -, e percebeu-se que as suas dimensões impedem que atraque na base naval de Cartagena, em Múrcia.

Os problemas começaram com o peso excessivo do submersível, que o impediu de flutuar e forçou os engenheiros a aumentar o comprimento da embarcação em 10 metros - para os 80m de comprimento - o que levou a um acréscimo de peso de 800 toneladas. A base naval de Cartagena tem capacidade para uma dimensão máxima de cerca de 78 metros.

As novas dimensões do S-80 Plus - em 2013, com o alargamento e aumento de peso do submarino, o modelo foi renomeado para S-80 Plus - tornam impossível que este atraque em Cartagena e agora o Ministério da Defesa espanhol prepara-se para dragar e expandir as docas do porto. O custo das obras, que incluem a ampliação dos poços, ascende a 16 milhões de euros, conta o El País.

Novo sistema de propulsão é peça crucial, mas não será integrado nos quatro submersíveis

Segundo o jornal espanhol, o Governo irá aumentar o teto de gastos do novo submarino em 1772 milhões de euros; o que, somado ao orçamento inicial de 2132 milhões, dá um total de 3907 milhões por cada um dos quatro submarinos, quase o dobro do que estava estimado.

Se o problema da submersão ficou resolvido, com as novas dimensões apareceu um novo obstáculo, que irá exigir ainda mais dinheiro para resolver e implica uma maior derrapagem no orçamento inicial.

No entanto, a maior incerteza que continua a pesar sobre o projeto é se este irá incluir, afinal, o tal fator competitivo - um sistema independente de propulsão a ar (AIP), que o colocava num lugar intermédio entre os submarinos convencionais e os nucleares.

Para evitar mais atrasos, foi previsto que o AIP será integrado a partir do terceiro submersível (o S-83, cuja entrega à Marinha está prevista para março de 2026), enquanto os dois primeiros (com datas de entrega agendadas para 2022 e 2024) começarão a navegar com propulsão a diesel e só incorporarão a AIP quando a primeira grande manutenção for feita, no final de uma década.

O sistema AIP é barato em comparação com o custo do submarino (cerca de 80 milhões de euros por unidade, dos quais 30 correspondem à célula de combustível comprada nos EUA), mas é o que permite ao submarino navegar submerso quase duas semanas.

Fontes industriais citadas pelo El País referem que o sucesso do S-80 vai depender deste sistema. Se funcionar, o produto será altamente competitivo no mercado de submarinos convencionais, com benefícios superiores aos do alemão 214. Caso contrário, será um autêntico fracasso. O novo modelo será apenas um submarino demasiado grande e indiscreto.

No fim, o que importa são as contas: os quase mil milhões de euros que a Marinha vai pagar por cada S-80 é quase o dobro do preço dos submarinos alemães, com os quais pretendia competir e que custam entre 400 e 600 milhões de euros.

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