Excesso de carga terá causado naufrágio com 500 mortos

Um barco que carregava até 500 pessoas terá naufragado no Mediterrâneo. Relatos vão de encontro às declarações do governo da Somália

Centenas de pessoas podem ter-se afogado no mar Mediterrâneo no final da semana passada, segundo relatos de sobreviventes de um naufrágio que falaram ao Alto Comissariado para os Refugiados da ONU. Os relatos vão de encontro a declarações anteriores feitas pelo ministro da Informação da Somália, que dissera na segunda-feira que, através de informação recolhida através da diáspora somali e da embaixada somali no Egito, entre 200 e 300 somalis estariam desaparecidos no mar após o naufrágio de um barco que transportava cerca de 500 pessoas.

Segundo escreve esta quarta-feira o jornal The Guardian, baseando-se num comunicado do Alto Comissariado para os Refugiados, um barco de pesca que estava sobrecarregado pelos traficantes de seres humanos com cerca de 500 migrantes de África, que partiu da Líbia para a Itália, pode ter-se afundado. Quando já estavam a várias milhas da costa, os traficantes tentaram recolher ainda mais passageiros que estavam noutro barco mais pequeno para o barco maior. "Devido à sobrecarga, o barco maior afundou-se", lê-se no comunicado.

Os 41 sobreviventes que falaram à ONU estariam ainda no barco mais pequeno quando a embarcação maior se afundou, ou terão conseguido nadar de volta para esse barco após terem caído à água. Ficaram então à deriva até serem resgatados por um navio mercante grego, no dia 16 de abril, sábado, que os levou para terra. Os sobreviventes são originários da Somália, do Sudão, da Etiópia e do Egito. "Afirmam ter participado e ter presenciado um grande naufrágio no mar Mediterrâneo, que reclamou as vidas de aproximadamente 500 pessoas", escreve o Alto Comissariado para os Refugiados.

O governo da Somália dissera esta segunda-feira que entre 200 a 300 migrantes somalis poderiam ter-se afogado no mar Mediterrâneo quando tentavam fazer a travessia para a Europa. "Não temos um número fixo [de desaparecidos] mas será entre 200 e 300 somalis", disse, ao telefone, à agência Reuters. "Não existe um número claro visto que não viajam legalmente".

Na segunda-feira, as autoridades italianas, gregas e egípcias não tinham qualquer informação que permitisse confirmar um naufrágio destas dimensões.

O maior naufrágio das últimas décadas no mar Mediterrâneo aconteceu há um ano, dia 18 de abril de 2015, quando cerca de 800 migrantes se afogaram ao largo da costa da Líbia. O pesqueiro em que tentavam chegar à Europa colidiu com um navio que tentava resgatá-los.