Sobe para 102 mortos o número de vítimas dos confrontos

Número de vítimas abrange três meses de contestação. Oposição anuncia para segunda-feira assinatura de acordo amplo anti-governo.

Foram ontem anunciadas duas novas mortes em resultados dos confrontos entre as forças de segurança venezuelanas e os elementos da oposição ao regime dirigido por Nicolás Maduro. Com este anúncio sobem para 102 o número de vítimas mortais desde que se iniciou há cerca de três meses a atual vaga de contestação.
Um jovem de 28 anos, Rubén Morillo, recebeu uma bala no peito, quando se manifestava na cidade de Barquisimeto, estado de Lara no norte do país, acabando por morrer dos ferimentos. A segunda morte sucedeu num hospital da mesma cidade, sendo a vítima Eduardo Márquez, de 20 anos, que fora ferido também com uma bala quando participava numa manifestação no passado 13 de junho.
Só em Barquisimeto morreram 12 pessoas desde o início do atual ciclo de manifestações contra as intenções do governo de dissolver a Assembleia Nacional, onde a oposição está em maioria, e promover a realização de eleições para uma Assembleia Constituinte a 30 de julho próximo. O regime do presidente Maduro tem martelado a ideia de que uma reforma constitucional é a única forma de estabilizar o país e iniciar a recuperação económica. O país uma extrema crise económica e social, verificando-se a falta generalizada de bens essenciais, o que tem forçado os venezuelanos a irem abastecer-se aos países vizinhos: Brasil, Colômbia e Guiana.
A coligação da oposição anunciou, entretanto, estar pronta a assinar amanhã, segunda-feira um acordo com setores críticos do chavismo para impedir a realização da Assembleia Constituinte. Segundo María Corina Machado, da Mesa de Unidade Democrática (MUD), o acordo permitirá combater "a imposição do totalitarismo do regime e trabalhar em unidade para a recuperação da legalidade constitucional". Em causa, a celebração de um acordo com universidades, associações estudantis, grémios, sindicatos, ONG, empresários, organizações comunitárias e partidos políticos, incluindo os setores críticos do chavismo, que já se manifestaram contra a Constituinte", explicou à AFP aquela dirigente.
O responsável de um dos movimentos críticos do chavismo, Gonzalo Gómez, que lidera o Marea Socialista, afirmou ter como principal objetivo "das liberdades democráticas", referindo "não ter conhecimento de nenhum documento" proposto pela oposição, mas indicou estar disponível para o "avaliar".

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