Merkel e Macron pedem "pressão máxima" a Moscovo sobre a Síria

Chanceler alemã e presidente francês falaram com Putin

França e Alemanha pediram hoje a Moscovo para exercer uma "pressão máxima" sobre a Síria com vista à aplicação "imediata" da resolução aprovada no sábado pela ONU que prevê um cessar-fogo humanitário no território sírio.

Numa conversa telefónica mantida hoje com o Presidente russo, Vladimir Putin, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, sublinharam que será "crucial que a resolução [do Conselho de Segurança da ONU] seja aplicada rapidamente e integralmente", indicou uma fonte oficial alemã, num comunicado.

Merkel e Macron "pediram à Rússia para que neste contexto exerça uma pressão máxima sobre o regime sírio para obter uma suspensão imediata dos raides aéreos e dos combates", precisou a mesma nota informativa.

O comunicado de Berlim salientou que os três líderes saudaram a resolução aprovada por unanimidade no sábado no Conselho de Segurança da ONU para uma trégua de pelo menos de um mês "especialmente para permitir a chegada de ajuda humanitária e a retirada [de doentes e feridos] da zona de guerra".

Merkel e Macron salientaram ainda que um cessar-fogo poderá ser "a base para promover esforços para uma solução política no contexto das negociações de paz [para a Síria] em Genebra (Suíça), sob os auspícios das Nações Unidas".

"A Alemanha e a França continuam disponíveis para trabalhar com a Rússia e com os outros parceiros internacionais para esse objetivo", concluiu a nota informativa de Berlim.

Por seu lado, Vladimir Putin informou os seus interlocutores das "medidas práticas tomadas pelo lado russo para retirar civis, para transportar cargas humanitárias e para prestar assistência médica à população síria afetada", de acordo com um comunicado do Kremlin (Presidência russa).

"Foi dada uma especial atenção ao facto de que a trégua não se aplicar às operações contra os grupos terroristas", frisou Moscovo.

A trégua humanitária aprovada no sábado prevê incidir, entre outras áreas do território sírio, em Ghouta Oriental, o último grande bastião da oposição ao Presidente sírio, Bashar al-Assad, perto da capital síria de Damasco.

Desde domingo passado, Ghouta Oriental tem sido alvo de intensos bombardeamentos por parte das forças governamentais sírias. Mais de 500 civis, incluindo uma centena de crianças, morreram durante os sete dias de consecutivos ataques.

Horas depois da aprovação da trégua, as agências internacionais davam conta que violentos combates entre as forças do regime sírio e os rebeldes prosseguiam na zona de Ghouta Oriental.

O enclave rebelde está sitiado pelas forças do regime sírio de Bashar al-Assad desde 2013 e enfrenta uma grave crise humanitária, marcada pela escassez de alimentos e de medicamentos.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos 'jihadistas', e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 350 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

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